Bulling? Oléeeee

Vi ontem no facebook um vídeo de bulling que me atormentou. Vi eu e viu muita gente , com certeza. Acabei por fazer aquilo que toda a gente faz, hoje em dia: uns comentários. O que é facto é que aquilo tem viajado comigo. Não o reproduzo aqui por que acho que há coisas que basta ver uma vez, para ter a certeza que não se quer continuar a repetir a tortura. Invariavelmente as coisas que me incomodam levam-me a pensar o que faria eu se estivesse naquele lugar a ver aquilo. Mais ainda, o que faria eu se me transportasse para aquela idade de novo e vivesse aquela experiência. Bulling sempre houve. Qualquer um de nós tem uma ou várias histórias que nos marcaram por termos sofrido na pele as consequências da maldade ou mesquinhez de um outro ser humano, quer tenha sido acto contínuo ou fruto de um qualquer devaneio momentâneo. Provavelmente já o fizemos a alguém, com ou sem sentido no que estávamos a fazer. A primeira vez que bati em alguém tinha 10 anos. Curiosamente foi num rapaz. Foi mais uma escaramuça, que deu pontapé e batatada para o dois lados. Chorei muito dessa vez, não só por ter sido agredida mas também por ter agredido e ter perdido o controlo ( detesto perder o controlo daquilo que faço) mas chorei também porque pela primeira vez percebi que a consequência dos actos nem sempre é proporcional ao acto em si, e na verdade ele é que estava a dar cambalhotas no ferro eu só lá fui porque também queria dar umas cambalhotas. No final ele levou uma grandessissima tareia dos pais e eu senti que aquilo tinha sido demasiadamente desproporcional e injusto ( ah e tal, não se bate numa menina; Bolas!e se a menina tiver sido uma grande melga? que foi o caso). Duma outra vez enfiei um estalo a preceito num engraçadinho que quis mexer em mais do que lhe tinha calhado em direito. Dessa vez não tive resposta (nem tinha que ter, era o que mais faltava).
Tudo isto foram casos pontuais, espaçados em vários anos e tirei destas experiências as lições que acho que deveria tirar. Tenho outras histórias de violência, que não vêm ao caso e que de certa forma me demonstraram que tenho que ter muito controlo sobre a minha agressividade se não, quando dou por ela já estou a “varrer” tudo. Não são os casos pontuais que me assustam, somos humanos e temos muitas vezes reacções despropositadas àquilo que sentimos como agressão. O que me preocupam são os casos continuados, que se multiplicam e se reproduzem perante a passividade de quem assiste e que servem de triunfo ou troféu como mostra de estatuto ou sabe-se lá o quê. Há alguma coisa que andamos a fazer muito mal. Hoje chateei-me com o meu mais novo porque numa disputa de bola foi um pouco mais agressivo e deixou o coleguinha caído no chão a chorar. Talvez tenha sido despropositada a minha reacção, também, mas exijo-lhes que olhem à volta e se preocupem com o que se passa ao seu redor, que se preocupem com os sentimentos e a dor dos outros, que se preocupem. Podem-me até dizer que é só uma criança ( eu sei) mas é de pequeno que se incutem princípios e por principio eu quero que se preocupem, nem que para isso tenha que ser inflexível. Não é uma questão de culpa é uma questão de saber pedir desculpa. E são os princípios que nos levam aos fins.

… e o que eu gostava de te contar o que sentia? Mais a ti do que a qualquer outra pessoa a quem já o tivesse feito. As tuas respostas têm um sabor diferente

Nem sei porquê,  as tuas respostas sabem-me a querer contar mais, a querer dizer mais a querer esmifrar o sentimento até que ele se derrame, líquido,  pelos espaços dentro e fora dos ecrãs que me devolvem a ti

Tenho saudades das campainhas.  Da porta estreita por onde entravas, acompanhado de uma suave toada que eu esperava ser a tua, que trazia o gozo matreiro de quem me quer levar a um lugar só nosso.

Foi nessa altura que entrou alguém na nossa cumplicidade? Foi nessa altura que copiaste as minhas palavras para as levares para outra porta? Foi nessa altura que duvidaste de tudo o que fazias por mim? …foi mais tarde, só mais tarde que soube que as tuas palavras não seriam só para mim, replicando os momentos que julgava unicos por corpos tão diferentes de mim…

Dividir-te demasiadas vezes, desfez a forma como te via,desfez-me, e transferi-te para uma morada onde não estarias, um cemiterio de prazeres,  onde replicaria os sonhos sem resposta e as noites de calor em claro, só com a memória de ti.

Ainda aguardo as campainhas, guardo na memória a ansiedade com que era feliz, antes de se transformar em peso, morto pela desilusão.

Mas ainda sonho: as tuas respostas, as tuas perguntas e conduzo muitas vezes,  talvez demasiadas, o pensamento, para o nosso cubículo onde dançavamos, colados, desejando eu que o mundo parasse, em silêncio para não termos que sair dali…

e apesar de tudo, ainda sonho …