… e o que eu gostava de te contar o que sentia? Mais a ti do que a qualquer outra pessoa a quem já o tivesse feito. As tuas respostas têm um sabor diferente

Nem sei porquê,  as tuas respostas sabem-me a querer contar mais, a querer dizer mais a querer esmifrar o sentimento até que ele se derrame, líquido,  pelos espaços dentro e fora dos ecrãs que me devolvem a ti

Tenho saudades das campainhas.  Da porta estreita por onde entravas, acompanhado de uma suave toada que eu esperava ser a tua, que trazia o gozo matreiro de quem me quer levar a um lugar só nosso.

Foi nessa altura que entrou alguém na nossa cumplicidade? Foi nessa altura que copiaste as minhas palavras para as levares para outra porta? Foi nessa altura que duvidaste de tudo o que fazias por mim? …foi mais tarde, só mais tarde que soube que as tuas palavras não seriam só para mim, replicando os momentos que julgava unicos por corpos tão diferentes de mim…

Dividir-te demasiadas vezes, desfez a forma como te via,desfez-me, e transferi-te para uma morada onde não estarias, um cemiterio de prazeres,  onde replicaria os sonhos sem resposta e as noites de calor em claro, só com a memória de ti.

Ainda aguardo as campainhas, guardo na memória a ansiedade com que era feliz, antes de se transformar em peso, morto pela desilusão.

Mas ainda sonho: as tuas respostas, as tuas perguntas e conduzo muitas vezes,  talvez demasiadas, o pensamento, para o nosso cubículo onde dançavamos, colados, desejando eu que o mundo parasse, em silêncio para não termos que sair dali…

e apesar de tudo, ainda sonho …