Penso nisso, logo ( diário da dor III)

Consultei agora o my Cuf e já chegou o resultado da RM shampoo ( 3 em 1 e paga a pronto, pronto!).
Lembro-me quando o meu Rodrigo nasceu, uma das minhas colegas do Garcia de Orta, me ter dito que quando nos nascem os filhos deixamos de saber o que fazemos todos os dias. É uma realidade que se aplica também a quando começam as nossas danças hospitalares, em nome próprio. Leio os relatórios ( quando leio) e parece que fico burra. Chegam-me umas ganas ansiosas  e um medo agudo que me aperta a garganta. Invariavelmente utilizo a minha resposta ” e tudo o vento levou”: logo penso nisso amanhã, se tiver dúvidas logo as ponho a quem de direito. Pensando que não, foi esta atitude que me fez chegar até aqui. Às vezes as coisas que pensar e que gerir e que solucionar eram tantas que eu escolhia umas tantas e as outras arrumava no lugar logo penso nisso amanhã . Foi assim que não pirei à séria!
 O google, para mim, nunca é solução válida, primeiro porque na maioria das vezes me irrito profundamente com a busca que ele faz a partir das minhas palavras de referência, depois porque grande parte dos achados é treta da pior espécie. Assim achar o que quero entre tanta informação que não vale a ponta…é angustiante! Mail`a-se quem tem que achar o que procura e espera-se pelo tempo certo para que a “coisa” se resolva . Ainda assim, deixo sempre escapar uma ou outra lágrima, não sei se de pena de mim própria, se de raiva: só me faltava mais isto!
Percebi finalmente porque é que os doentes ditos crónico estão sempre a tentar parar a medicação. É a réstia de esperança, que sobra da realidade, a réstia de pensamento mágico ( se fecharmos os olhos isto passa tudo e amanhã estamos curados) . A bem da verdade deixar de tomar a medicação a única coisa que fez por mim foi levar-me à cama, sem me conseguir mexer. Ainda assim sei que vou muitas vezes, ainda, tentar parar, mesmo que isso implique sempre o mesmo resultado. Sempre achei, nestes anos todos de profissão que, quando se perde a esperança perdemos sempre a batalha, muitas vezes a guerra e sinceramente eu não estou para isso, pelo menos não tão cedo! Diz que se calhar, salta agora do naipe uma cintigrafia óssea. Ela que venha! Tenho coluna de enfermeira! pois, era de esperar…