da nossa vida, natural como só eu

Tomates, flores e cultura!

Não sou grande cozinheira, mas vou dando para o gasto! Na verdade a minha última grande paixão de passatempo tem sido a horta. Sou adepta fervorosa da alimentação saudável e biológica, mesmo que de vez em quando me delicie com os hambúrgueres das cadeias de fast-food. O primeiro dos desafios nesta cruzada do “feito em casa” foi a confecção de uma pizza caseira que satisfizesse os meus filhos. Os meus piores críticos são os meus próprios filhos, senhores! Não são raras vezes que eles dizem de boca cheia : ” mãe, a tua comida é uma bost(%%&$”#$%”#!#%$/&%)!” Isto deve-se essencialmente à obrigatoriedade de comer sopa e às invenções que adoro fazer na cozinha ( sou incapaz de seguir uma receita à risca) e que por vezes dão maus resultados! Consegui ao fim de algumas tentativas fazer uma pizza com ingredientes caseiros ( meus ricos tomates baby que agora dão um jeitão) que satisfizesse os 3 gostos diferentes e dividindo-a em 3 partes, cada um come aquilo que mais gosta. Só a massa é que é da pré-preparada , já que pedirem-me para fazer massa e tudo, e tudo era exigirem-me demasiado tempo na cozinha ( aborreço-me e nem tenho tempo para essas especialidades!) .  Ora, como já se deve ter notado a produção de tomates baby vai de vento em popa. Tanto que já não consigo dar à conta a comê-los.  Ando a congelar, mas ainda assim, o espaço no frio não chega para tudo o que tem que ser guardado. Pensei em aventurar-me no mundo dos doces e lá pedi à minha mãe a receita. Como boa cozinheira que é e entendida na matéria, desfilou-me a receita num bla.bla,bla, de cor . Ora eu, que já fui dona de uma sra dona memória, achei que sim senhor, que era fácil de fazer e destinei, data e hora. O chato foi que quando chegou a dita data fui tentar lembrar-me do que ela me disse e só me consegui lembrar que o peso do tomate devia ser igual ao peso do açucar (e lembrava-me deste pormenor porque me recordo de ter pensado na altura, que não, que iria cortar porque não gosto de coisas demasiado doces  e porque como os tomates são muito pequeninos iria desfazê-los primeiro no liquidificador e só depois pesar) de resto, nem uma lembrancinha , nem mesmo esfumada do como seria a receita. Tinha uma vaga ideia que algures seria necessário um pau de canela! . O google é uma invenção maravilhosa, meus amigos!!! Coloca-se doce de tomate no espaço de busca e “voilá” 5005055 receitas na hora. Vi as primeiras e escolhi a que me pareceu mais parecida com a da minha mãe ( e porque a imagem do doce tinha também as pevides – tirar pevides de tomates baby é uma missão impossível) . A história do peso do tomate e do peso do açúcar confirmava-se e depois era só misturar raspa de limão e pau de canela. Pareceu-me muito bem, adoro o sabor da raspa de limão e da canela nas aventuras que faço pelo mundo da “bolaria “. O resultado foi bom, logo à primeira. Utilizei um tacho de barro que me obrigava a mexer frequentemente ( adoro cozinhar em tachos de barro e são essas as minhas grandes compras de feira) e como desfiz logo o tomate, acabou por ser muito mais rápido ( é mesmo assim que gosto da cozinha, fácil, rápido e bom!) . Tudo perfeito, não fosse ter exagerado “ligeiramente” na raspa de limão e agora em vez do tradicional sabor do doce ( acertei em cheio na receita porque tem o mesmo saborzinho que o doce da minha mãe)  tenho uma mistura ( bastante aceitável diga-se de passagem!) de doce de tomate e doce de raspa de limão!

É por isso que adoro a horta! adoro estar a cozinhar e vir ao quintal apanhar a salsa, os coentros, o mangericão. Adoro saber que o que ponho na cozinha fui eu que criei e apanhei. Agora ando a ocupar-me que maximizar o espaço ( pequeno) da horta para lá ter tudo aquilo que utilizo mais para cozinhar.( nem vos conto da luta teimosa em produzir espinafres e alho francês) A primeira experiência não correu demasiado mal,  mas tenho que melhorar muita na arte da “hortelaria”, saber os truques, as fases da lua e toda a quantidade de informação que fui acumulando ao longo dos anos e nunca utilizei. E ouvir os conselhos de quem sabe , e aprender a dividir os espaços, e tal e tal e tal. Cuidar de uma horta não é muito diferente de cuidar de pessoas, com a diferença que para nos agradecer o nosso cuidado as plantas põem-se bonitas e dão -nos o melhor produto que conseguem, seja fruto ou elas próprias. Já com os humanos, na maior parte das vezes, não é bem assim. Devo ter passado ao lado de uma grande carreira na floricultura!

Anúncios