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Já passaram 2 semanas após o fim das férias e ainda resisto, uns dias melhores, outros piores é certo, mas ainda de pé. O ritmo diminuiu bastante, ou ainda não recomecei a sério. Tenho saudades dos meus filhos, quando depois de um dia de trabalho chego a casa e não os ouço, mas penso nisso como um campo de férias e obrigo-me a não andar sempre para trás e para a frente ao sabor da saudade. Eles também estão bem e a praia e o tempo livre de verão faz tanto bem à saúde! Sei que eles também sentem a minha falta e talvez não compreendam, mas também sei que é importante não me esgotar no inicio da viagem, que tem que durar um ano, inteiro!

Agora, para aqui estendida, com as pernas a pesarem 20Kg cada uma e a controlar a dor e a respiração, um exercício que reaprendo todos os dias, convenço-me que é só mais esta tarde e a manhã de amanhã será um reencontro com eles e com algum tempo livre. Nestas duas semanas tenho feito muita coisa e escrever não tem sido uma delas. por vezes é necessário parar e refazer, renascer. Sou moça de inúmeros renascimentos internos, entre a luz e a sombra e só assim consigo andar em frente. Sem tempo para reflectir, para reajustar, para estar continuamente a avaliar o que me passa ou não, sinto-me como se fosse uma android, programada para manter uma casa de pé.

Entretanto, se repararam na barra lateral, já li a madame Bovary (que detestei) e vou quase a meio do Baudolino. Abençoado livro, de principio pareceu-me uma seca e agora largo grandes gargalhadas a lê-lo. Não me lembro de quando um livro me fez rir assim, mas a verdade é que neste acontece. Lê-se bem, tem história à mistura e talvez descreva muito do que se fazia e de como se pensava por aqueles tempos. A sorte do destino é uma incógnita que vamos desvendando com muita imaginação à mistura. Vive-se muito do que se vê mas mais de metade (muito mais de metade, para mim) é o que se sente e o que se imagina. Vou seguindo a vida de Baudolino, rindo e reflectindo com o que diz e o que lhe acontece, como o faço com as pessoas de quem gosto. Há personagens que fazem parte da nossa vida quase tanto, ou mais, que muitas pessoas de carne e osso.

É assim que vou mantendo o meu voo, baixinho. Não quero deitar tudo a perder, de novo, no principio. Porque há erros que se pagam caros e caminhos que, por pouco, não têm saída. Sou mulher de saídas de emergência se necessárias e gosto de saber sempre para onde vou, mesmo que vá enganada. A intuição é uma coisa que nos protege de muita coisa mas por vezes também nos faz esbarrar de frente com os nossos maiores receios. E estes nem sempre são fáceis de enfrentar.  Mas destes encontros, garanto, saímos sempre mais fortes.(p[r]onto!)