Bio ritmos

Hoje perguntaram-me se ainda estou de férias, que nunca mais me viram. Bom, é natural! Quando ingressamos nisto de ter uma carreira na enfermagem, explicam-nos muita coisa, mas nunca nos explicam que, com o passar dos anos, a maioria das amizades passa para um plano meio virtual, se as quisermos manter, e que a vida social desaparece, quase na totalidade ( mantendo-se apenas os  resistentes que teimam em não nos deixar de fora, e são esses que muitas vezes sem saber, nos salvam!) . Porque fazemos turnos malucos e anti-naturais, porque se optamos por ter filhos, a tentativa quase inglória de lhes manter um bio-ritmo, arrasa com qualquer tentativa mais forçada de manter vida para além da família. Isso faz com que ao fim de uns anos as únicas saídas que consegues ter, sem ser em altura de férias, é com quem faz o mesmo tipo de horário do que tu, e mesmo assim é necessária uma capacidade de estar constantemente a refazer e iniciar novas amizades, já que a alteração de horários e roullemant é uma constante, ou seja, hoje podemos ter o mesmo horário e amanhã estamos a dormir quando os amigos estão acordados. Uma verdadeira matéria de estudo, com que, pelo que vejo, pouco ou ninguém se importou ( se me permitem a reflexão, os estudos na enfermagem, como este país, vão ao sabor das modas e têm muito poucos resultados práticos na vida dos profissionais) mas quem é que verdadeiramente se importa connosco? Adiante, que isto não é local para se falar de trabalho, que já me basta aquele que tenho efectivamente e não é pouco!
Já não estou de férias e ainda não comecei em pleno, estou num limbo meio desorganizacional, mas no meio disso estava bem habituada a viver, não fosse o cansaço que agora teima em dormir comigo ( e agora lembrei-me da Amália a cantar o povo que lavas no rio – vá-se lá saber porquê!) Dou graças por se lembrarem de mim, por de vez em quando se lembrarem de me mandar um olá, porque mesmo perdida no meio dos 5555 afazeres , às vezes sem tempo para responder, sempre vai sendo um ar fresco que me entra pela janela, um sorriso no meio do nada e uma paragem forçada no turbilhão das horas ocupadas. É por isso que cada vez gosto mais de silencio e com os anos os meus hábitos foram-se alterando.  A televisão é um ruído contínuo e tirando a música ou a leitura só mesmo os passeios com os meus mais que tudo é que me vão distraindo ( e agora só quando consigo) . Hoje fiz o turno da tarde. Saio cansada, muito mais cansada do que me era habitual e espero sinceramente que a noite me permita o repouso que necessito para que o amanhã seja melhor que o ontem.