Problemas Gigantes

A ansiedade é, desde sempre, a minha pior inimiga. Por ter percebido cedo o quanto me limitava, aprendi ( mais ou menos) a controlá-la e a perceber os seus ( meus ) mecanismos internos para a combater e desvalorizar. Nem sempre saio vencedora desta luta que travo diariamente. Ainda assim é e será provavelmente a minha maior inimiga e é com ela que gasto a grande maioria da minha energia e os meus recursos internos. Uma canseira! Tenho aprendido muito sobre mim e sobre os outros para arranjar recursos que me possibilitem vencer esta guerra. Sei, melhor do que ninguém que o meu sofrimento físico hoje é o resultado das minhas batalhas diárias em que a ansiedade me tem conseguido vencer, pelo menos nestes últimos anos: fruto da conjuntura e de algum desequilíbrio que tem sido muito difícil combater. As estratégias têm-se alterado ao sabor das circunstâncias e das possibilidades mas dou hoje uma valor ainda maior do que antes ao controlo da ansiedade, já que agora, descontrolo hoje significa dor física amanhã. Não é fácil adaptarmo-nos a novas realidades sejam elas externas ou internas e pese embora as mudanças externas não terem sido muitas ultimamente, as internas foram em catadupa e ando ainda a posicionar-me neste meu “novo” corpo. Se me dissessem há alguns anos que iria ser uma ferrenha adepta das rotinas diria que estavam todos doidos. Hoje sou-o por necessidade. Se a rotina estabilizar é-me muito mais fácil organizar e gerir tudo e assim ando menos ansiosa. Pode não parecer mas a ansiedade é um problema “gigante” para mim. Exercício físico, ar livre, leitura, ambientes calmos e diversão são as principais variáveis, alimentação saudável a constante da minha equação de bem-estar. Sei que, muito mais do que o corpo, é a mente que tem que estar saudável para conseguir viver bem e tal como as crianças, se estiver bem metade das intolerâncias desaparece. Quem nos disse que ser adulto é conseguir uma determinada imagem de nós próprios enganou-nos, para mim ser adulto é saber conciliar em nós a criança que nunca cresce com as responsabilidades que a vida acarreta para podermos ser livres. Filosofias, quem sabe?, mas comigo funcionam.
 
 
Refugiados, refugiados, refugiados. É sobre o que se tem ouvido nos últimos dias. A solução encontrada pela Alemanha torna-se irónica de tão previsível e para mim é só mais uma demonstração de como aquela vê a União Europeia. Ao ouvir a noticia na rádio não resisti aos meus desabafos em jeito de quem fala sozinha: Lá se vai a Europa pelo cano, lol! O meu mais velho, que já começa a conhecer-me melhor do que ninguém remata: O que é o espaço Schengen mãe? lá lhe expliquei mais ou menos, como consegui. Ficou-me na cabeça uma pergunta : o que é/ como é uma fronteira mãe? é engraçado perceber que uma barreira física, quando não é concebida na nossa cabeça é tão difícil explicar. Diz-se da minha geração que somos “filhos da madrugada“, os meus, são já filhos de uma europa sem fronteiras. A visão que temos do mundo tem muito a ver com o que fomos habituados a conceber. Não seremos nós, por cá, também um pouco refugiados das circunstâncias?