Aprender, sempre

Deve estar a fazer mais um menos um ano que me mudei de novo. Deve estar a fazer mais ou menos um ano que tentei de novo conseguir viver de forma autónoma. Muita coisa mudou neste último ano, muita coisa mudou desde a última tentativa falhada.  Muita coisa em mim se ressentiu do esforço dos últimos anos, principalmente o corpo. Na tentativa de me reconhecer de novo, lido agora com um novo corpo que carrega muita mazela, mazelas antigas que carregava noutros lugares e que não tinham antes lugar físico para morar.
A casa foi evoluindo ao meu jeito, à velocidade que vou conseguindo mas está longe ainda de ser o que eu gostaria. Vou tentando, a pouco e pouco, ir cumprindo objectivos e realizando pequenos sonhos que se vão tornando nos meus novos sonhos, diferentes ( muito diferentes) dos originais. Acho que, como todos, gostaria de voltar a um ponto onde estava antes do início da crise, mas volvidos 8 anos, a vida acabou por me transformar. Agora, são outros os motivos que me levam a continuar a tentar. Diferentes, muito diferentes e com outros objectivos.

Este fim de semana consegui (com algum esforço) regressar a um lugar onde sou feliz. Uma casa que me recebe sempre bem e onde consigo satisfazer um dos meus agora grandes prazeres (comer fora da minha casa alguma coisa não cozinhada por mim) . Talvez não seja assim tão difícil perceber a grande mudança que os anos operaram em mim e recebi de oferta do Simões uma das coisas que considero mais importantes  – um livro. Embora não tenha ainda conseguido acabar o Baudolino, prometi a mim mesma que iria experimentar as  indicações deste livro : Aprender a ser feliz. Já fui, tenho a certeza que sim, mas a memória encarregou-se de me fazer esquecer de muitos desses tempos. Estamos sempre a aprender ou reaprender.