Para quem, como eu, tem que planear os dias ao minuto ( se quero fazer metade do que necessito) e o orçamento ao cêntimo ( se o quero  mais ou menos estável ) o mais comum é chegar a esta hora com a sensação que me passou um camião por cima. Desde que deixei de conseguir disfarçar ou ignorar a dor, tornou-se tudo ainda mais complicado. Os analgésicos,meus  aliados,  têm que me acompanhar para todo o lado, nas fases piores, porque se começo a sentir dor lá vai o planeamento para as urtigas! Isto requer uma capacidade de resistir à frustração muito acima daquilo a que estava habituada e levou-me a perceber que a minha vida não tinha folga que permitisse muitos desvios ao estabelecido. Para hoje estava planeada uma formação. Um pequeno engano no horário e a incapacidade de ( mais uma vez) controlar eficazmente a dor levou a que tenha andado um dia inteiro para trás e para a frente sem ter chegado a assistir à formação Salvou-me o fim do dia em que consegui cumprir o que estava previsto sem sair da linha que tracei para os próximos dias – deixar de fazer o SOS .  Estes dias “normais” são os mais comuns e é com estes que preencho grande parte da minha vida. Às vezes, a esta hora, cansada e já a pensar no planeamento de amanhã sinto saudades do tempo em que conseguia manter-me ao corrente do que se passa no mundo. Quero muito fazer parte, mas sem tempo livre e sem disponibilidade de orçamento para actualizar a tecnologia, é à casa e aos miúdos ( às prioridades) que dispenso a atenção. Sobra pouco depois. Ou muito ( cansaço) dependendo do ponto de vista para que se olha para as coisas. Do pouco que me tem sido dado a perceber à parte de uma campanha eleitoral que nos promete mais do mesmo, continuam a ser as contas o nosso grande problema e a nossa maior preocupação. E das pessoas e das suas dificuldades reais para além do propagandismo das eleições, alguém tem falado? É que é com esses que realmente me preocupo, sempre!

E agora, vou dormir, que até agora tem sido a única coisa que me tem, de facto, recuperado.