Lutas

Depois de me deitar estafada, acordo tal e qual. O despertador toca, salvo raras excepções às 6 da manhã. Acho sempre que as mil e uma coisas que tenho na cabeça e que quero muito fazer, vou conseguir fazê-las num qualquer momento de perfeição em que vou conseguir acordar imediatamente após o despertador tocar. São raras as vezes que me lembro disso ter acontecido e se aconteceu foi porque provavelmente nem dormi. Sempre fui assim, noites sem dormir dão-me ” estriquinina” que se me esvai a partir das 10 da manhã.
 Escolhi as 6 da manhã como hora de eleição porque é uma hora chave no meu círculo circadiano. Desde há muitos anos que mesmo quando faço noites as 6 da manhã são a hora de maior volume de trabalho. É o meu único ritmo certo . Invariavelmente, mesmo nos dias de folga, o olho abre a essa hora.
Hoje não foi excepção. Tento convencer-me a levantar mas o corpo desde há uns anos para cá acorda sempre muito pesado. Se não estivesse viva e a pensar diria que acordo com o corpo morto. Às vezes 15 minutos outras meia hora, hoje foram 45 minutos. Só à força de muita auto motivação, lá me consegui levantar. Ela espreguiça-se, ela acomoda-se com o soprador de ar quente, na tentativa de “soltar” os músculos e de libertar o corpo da sensação de peso morto mas nem sempre tenho grande sucesso. Acabo por me convencer a levantar pensando que, se me demoro mais não vou ter tempo para despachar os menino sem estar constantemente a pedir que se despachem e no final já a perder a paciência. Não há coisa que me leve mais a moral para baixo do que começar o dia a gritar e a perder a paciência com os meus filhos. Muitas vezes faço o caminho a chorar, de raiva de mim própria, por ter perdido a paciência. Acontece, não sou perfeita e nos últimos anos isto tem sido uma luta.