Princípio de um Outono

IMG_7316

Era como se o sol não se quisesse ir embora. Era a luz e o calor e o vento, mansinho, que corria em desalinho no chão levantando as minúsculas partículas que subindo iam dispersando aquela luz forte tornando-a cada vez mais ofuscada. E o vento corria, brincava, saltava, em pequenas tentativas , do chão a procurar o céu. De passos seguros caminhava a perseguir o vento. Faltava fechar a porta, abrir a janela e permitir a mudança. Lentamente para que se não desse por isso. O homem, de passos firmes, seguia o vento para lhe encontrar os segredos. Queria saber um só porquê que fosse. Porque crescia, porque mudava a direcção, porque é que  ao fechar a porta abria uma janela fazendo correntes de movimento incessante. Não quisera sempre o homem controlar o vento?

Ela vinha atrás, seguia não segura, distraída aproveitando as brincadeiras que ao entrelaçar-se nas pernas, o vento lhe proporcionava. Diria, se estivesse longe, que se entendiam. Diria apenas, que o pensamento que fica por trás do que se diz é cofre fechado para quem só observa o óbvio. É pouco !

O homem parou. Olhou para ela, como se pela primeira vez lhe ocorresse a preocupação de a perscrutar. Porque persegues o vento, homem, se ela o entende?

Viu-a , como ninguém.

E num instante, o vento deixou de lhe fazer sentido.

E numa só tentativa ele chegou ao céu. É tempo de se atrasar o tempo, de se apagar a luz, por um instante da eternidade em que o calor, fecha a porta, mas abre ao tempo uma janela