Há muitos, muitos anos , quase tantos
Como se contruisse uma nova maioridade
Alguém a viu assim.

Não nasce em todos o dom da palavra. Isso que fazes é extraordinário

dizias e eu na inocência de quem tinha ainda tudo para ver, acreditei…

Contei-te um dia o que em silêncio me contava a vida e em silêncio falámos mais do que séculos farão outros dizer. Jurei cumprir uma palavra dada e partiste para longe, onde o teu  coração morava, que não me foi dado a mim o dom da tua presença. Para sempre é tanto tempo que de súbito as histórias de encantar são um terrível feitiço. Queria contar-te que cumpria o prometido com o zelo da vida, que sonhada, se pode realizar. E num suspiro de um abraço apertado, sem que eu o percebesse, alguém me roubou de ti. E então eu entendi. A vida repete-se em circulos e o para sempre é no fundo uma ilusão.

    

Continuo a cumprir o prometido. Sinto que quem o fez nem sonha de onde venho. Os caminhos de vidro partido, os pés rasgados, o ouro escondido em cada sorriso. Cem anos são um principio apenas para contar a solidão. As premunições assustam quem não sabe que assim pode ser porque ferem quem não vê.

Este é o chão dos meus passos.

Já trazia a vida nos olhos antes de ver os teus e mos levares. Antes de ti alguém soube que virias. E pensando escrever para apagar o passado abri as portas do futuro. Inundámos de vida a poesia…para nós será sempre,

quem sabe o que fazer com as palavras conversa muitas vezes em silêncio

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