Pontos de luz

Tudo na vida se recicla. Pelo menos tudo o que nos é natural. O lixo não tem serventia, mas tantas vezes o que pensamos ser lixo, é afinal tão desejado num outro local qualquer. Lá está, é a perspectiva. Olho para a minha árvore e penso que somos companheiras de viagem há uns bons anos. De viagem, sim, que temos passado por muitos lugares, juntas, sempre nesta época. Reservo lugar para o mais importante, na base. À falta de tempo para mais ilumino-o, juntando-lhe o que mais gosto nesta época: a luz. Este é um tempo de luz, um tempo de esperança, um tempo de pensar que foi o mais frágil e indefeso, aquele que mudou o mundo ou pelo menos a perspectiva que havia dele até então. Continuo a pensar que a mensagem dele fui demasiado inovadora para o seu tempo, tanto que ainda hoje tentamos atingir-lhe, só os principios do que nos veio ensinar e mesmo assim tentando, ainda não conseguimos. A paz, o perdão, o dar a outra face. Enchemo-nos de rituais ( necessários também) que tantas vezes ultrapassam os verdadeiros significados e colamo-nos ao desnecessário que nos impede de andar em frente. 
O Natal chegou ao meu ninho. Já tinha chegado antes, muito antes, quando finalmente senti que algo aqui me pertencia, como se o lugar tivesse estado, sempre, à minha espera. Só agora lhe dei o toque de época. Aguardo as boas novas, como quem sabe que a fé é o melhor alimento, o que nos permite continuar, mesmo após aquele que se julga ser o fim de todas as coisas.

Se um coração é grande, nenhuma ingratidão o fecha, nenhuma indiferença o cansa.” 

                                                                                                                                                                                           Tolstoi