Um Natal completo

O tempo passa a correr ( todos sabemos de cor esta frase feita). O que é certo é que passa mesmo e outro Natal se passou. Mas este, foi um Natal diferente. Há quase tantos anos como aqueles que tem o meu filho mais velho, que não tinha um ” Natal completo ” . Sempre entre turnos, entre desgraças e  tristezas que não sendo minhas, me entraram pela porta da vida para que tivesse, também eu, um lugar dentro delas.

Não sei porque acontece mas eu gostava de saber qual o cruzamento cósmico que faz mais gente partir nesta altura. Provavelmente será apenas a nossa consciência que está mais virada para o bem, a felicidade e a paz, nesta altura,  e sempre nos entristece mais a partida, numa época em que seria suposto celebrármos a família. Ainda assim, acontece muito. Às vezes a fé ajuda a justificar e a manter a paz de espírito, qualquer que seja a fé.

Este Natal pude fazer parte da vida daqueles a quem chamo família e isso é um bem que pouca ou nenhuma descrição consegue ter. É o que é. Sentimo-nos sempre mais completos quando nos identificamos, quando fazemos parte, quando estamos lá. Isso não há dinheiro nenhum no mundo que pague. Não há nada que substitua a presença daqueles que a gente ama. Por mais que queiramos justificar, fica sempre a faltar uma parte de nós, quando não nos sentimos em casa. O amor é a mais bela parte de nós e sem ele nada do que por cá fazemos poderá ter algum sentido, sendo que esse amor pode materializar-se de muitas formas. É por isso que tenho orgulho em ser mãe, enfermeira, filha , irmã, tia, sobrinha, prima, amiga e todas as outras formas possíveis de distribuir um pouco de amor ao meu redor.

A vida é uma estrada enevoada que não nos mostra o lugar onde nos vai levar. E ainda bem!