Estamos mais pobres

Ficamos mais pobres quando isto acontece. Ainda bem que há quem olhe para o problema com vontade de o resolver. Gosto de pessoas assim. Eu própria sou um pouco assim também. Lia um destes dias, a propósito do que aconteceu no sol que, se queremos salvar os jornais, temos que os comprar. 

Percebo isso. Mas percebo bem melhor a parte que me toca. Fui sempre leitora assídua da sábado ou da visão, alternadas, dependendo da capa semanal. Também cheguei a comprar uma outra ( de que já não me recordo o nome) quando o Vítor lá escrevia ( é sempre engraçado ler algo escrito por alguém que se conhece, para além do profissional) . Fui leitora assídua do expresso. 

O meu espectro de leitura aumentou com o galopar da internet. Depois chegou a crise. Desde 2010 que os jornais e as revistas entraram na parcela de despesa dispensável, depois os livros,  a seguir os espectáculos ( foram a minha última grande batalha, mas acabei por deixá-los cair , também a eles, com o risco de inverter as prioridades) . 

A verdade é que a internet compensa-me muito esta falta que sinto de saber o que se passa à minha volta. Por vezes, quando esbarro num artigo que me sugere o pagamento da assinatura para que possa ler o resto, ainda dou por mim a pensar se vale a pena. Mas depois a calculadora que me foi incutida na cabeça obriga-me a recusar essa despesa. Um pouco aqui, um pouco ali e quando se percebe gasta-se muito mais do que se deve, ou pode. 

 Assim ficamos mais pobres porque menos esclarecidos. Um mal necessário na conjuntura actual, mas que deve ser combatido. A verdade é que a liberdade de expressão advém muito do conhecimento que adquirimos. Ler algo e o seu contrário ajuda-nos a decidir, a tomar decisões, a definirmos-nos como cidadãos . O que somos, o que queremos ser. Procuro de todas as formas possíveis manter-me a par. Perceber o que pensam e porque pensam outros assim. 

Agrada-me que se procurem soluções. A informação é o maior e o melhor serviço público que se pode prestar. Deve ser feito por quem o sabe fazer. Ser cidadã permite-me que emita a minha opinião, mas a verdadeira informação deve ser dada por quem de direito. Eu só pego naquilo por que me interesso mais, mas a vida em sociedade é feita de muitos interesses e todos eles relevantes para alguém. Só aceitando isso ficaremos mais tolerantes. Só querendo saber, importando-nos com os outros, partilhando opiniões e saberes podemos evitar que outros sofram o mesmo que nós. 

Be free my friends