Portugal para Inglês ver

Votei de manhã cedo, numa esperança infrutífera de ser a primeira a votar na minha mesa. Não sendo a  primeira, fiquei num honroso 3 lugar provavelmente atrás dos constituintes das mesas. Votar cedo foi uma preocupação que me ficou do ano em que eu própria fiz parte de uma mesa, já que para o fim do dia está toda a gente já cansada e ainda há os votos para contar.

O Domingo não se resume a dia de votação, nem pode, mas gosto de relembrar que o dever cívico é também um direito, e é ele que nos dá a autoridade de reclamar se o trajecto começar a não ser o mais transparente possível. Não gosto de deixar nas mãos dos outros decisões que me cabem a mim, ainda menos que decidam sobre a minha vida sem que dê a minha opinião.

Hoje houve jogo em Estremoz e como sabem a maior parte dos pais de filhos desportistas, é de manhã cedo que começa a vida familiar, mesmo ao fim de semana. Até aqui tudo normal. Chegamos a Estremoz cedo, e mesmo que não haja fome, o lanche do meio da manhã é essencial . É incrível como numa terra tão bonita, que poderia aproveitar essa beleza para se promover, a um Domingo de manhã seja uma aventura encontrar um café aberto. Encontramos um, com nome de mercearia, nosso conhecido do google ( que já ninguém vai a lado nenhum sem saber o que o google diz sobre esse lugar) com um conceito girissimo de tudo em um, num espaço acolhedor e onde apetece estar ( bonito aos olhos e ao paladar) . O pior vem depois e reforça o meu ponto de vista ( o que este país está a crescer apenas para Inglês ver) . Um espaço acolhedor, com bom gosto, recomendado pelo tripAdviser, que pratica preços que me deu vontade de lhes restituir o que já tinha engolido. Sejamos sinceros, 9.30 euros por um pequeno almoço para 3 pessoas onde só foram pedidas 2 sandes e 2 bebidas não é um abuso, é um roubo. A qualidade é boa mas não justifica o preço e muito menos numa terra perdida no “Alentejo profundo” . E isto pode aplicar-se a muitas outras vertentes de compra e venda, oferta\ procura,  no nosso país.

Ora depois de um pequeno almoço de qualidade sobrou o suficiente, no orçamento diário,  para ir almoçar ao Mac de Évora e lá se foi o investimento no que é português…

Aproveitámos a tarde para estudar um pouco de história sabendo que é quase sempre mais uma desilusão. Rico em monumentos históricos, desde os primórdios da nação, a reconquista, o tempo da ocupação muçulmana, a história do Alentejo vai até ao neolítico, mas muito poucos parecem querer enfatizar, promover e preservar esse património. Embora já melhor sinalizado, tanto os acessos, como a promoção e as condições do próprio local para receber visitantes são quase nulas e resumem-se a placares  que podemos ler, e esperar pela boa vontade dos visitantes para que não destruam o que lá está desde há 7000 anos. Contínuo a adorar a “história ao vivo” e aborreço-me por não conseguir incentivar os miúdos a querer saber mais sobre esses povos, para que serviam aqueles espaços e o porquê das localizações . De qualquer maneira tento, na esperança de que um dia mais tarde, se lembrem que lá foram e queiram saber mais sobre a sua própria história. 

Cerejeira em flor

Lindo

Enquanto o aquário marca o princípio do que um dia terá um fim, tu permaneces por trás do vidro, nadando, como um peixe,
nas águas profundas da minha admiração

A árvore que me trás de volta à paz que procuro,
repliquei-a tantas e tantas vezes que deixou de dar frutos.
Repousa agora,
colada nas paredes do lugar onde me deito,
para que a olhando
possa voltar à estrada
que me trará de volta .

O caminho, marcado a traços contínuos impede – me de ultrapassar.
Sou um excesso de velocidade
em câmara lenta.

Tu nadas como um peixe,
por trás do vidro,
eu,
fico a ver-te nadar

Enquanto a cerejeira,
colada às paredes do meu quarto, me guarda o sono,
esperando que,
as horas de frio a que a votei,
sejam suficientes
para a fazer reflorir.

(In)felicidade

Li por aí que hoje é o dia mais triste do ano. A terceira segunda-feira de Janeiro, a blue monday, o dia em que voltamos à realidade depois da euforia e do despesismo das festas. E eu estou feliz, porque Janeiro, apesar de o ser e trazer ainda a ressaca de um estado depressivo e de esgotamento que se arrastou por vários anos, me está a correr muito bem; porque voltei ao meu “velho” horário com vontade de continuar, com vontade de trabalhar; porque me sinto novamente saudável, apesar da medicação e dos exames que me lembram que ficam sempre mazelas depois dos abusos; apesar de todos os pesares e de estar frio, sinto-me quente cá dentro e isso faz deste o melhor Janeiro dos últimos anos.

Foi um caminho tão longo, tão transpirado, que me sabe a felicidade pura sentir que posso pensar novamente em fazer aquilo que realmente gosto. E tenho planos, o que é de tudo o melhor.

O mundo nunca acaba quando pensamos que perdemos tudo. Ainda bem que este é o dia mais triste do ano.

Let it all go

À procura dos sentidos

Sou como as 24 horas deste planeta. Uma parte de mim é dia, outra é noite. O Janeiro desperta-me o lado lunar. Às vezes não é bonito de se ver. Garanto-vos, pior é de se sentir. Por estes dias busco em mim tudo o que aprendi sobre sobrevivência, só para me manter fora do eclipse. Por vezes consigo, noutras o esforço tem que ser maior. Ainda assim estou muito satisfeita comigo. Depois de uma semana que foi uma verdadeira prova de resistência, a terminar num sprint, consegui cumprir com o prometido aos miúdos. Só isso é o bastante. Um a um, os objectivos para o primeiro trimestre estão a ser atingidos. E eu satisfaço-me por conseguir distinguir o essencial do acessório. Às vezes ainda me perco, mas em pouco tempo regresso sã e salva e agradecida, porque tantas vezes perdida é a melhor forma de encontrar o que sempre se procurou.