Tempo de desejar

Aqui há uns anos se me dissessem que iria ter anos assim, nem acreditaria. Mas tive e passaram. Se me dissessem que me sentiria assim, feliz, por estar em casa, num dia de  festa, ficaria incrédula, mas aconteceu. Às vezes é necessário conhecer bem o sabor da perda para reconhecer o melhor dos paladares.

É neste sentido, não esquecendo o que perdi, mas reconhecendo por isso o que posso vir ainda a ganhar, que vão os meus desejos/planos/ projectos para o ano que agora chega.

O meu ano chegou em paz, a fazer uma das coisas que melhor me faz ao corpo e à alma, neste momento, descansar.

Começa ( 2016) com algumas perdas que me lembram como é necessária força para acreditar que tudo tem um propósito e que podemos aproveitar os maus momentos para nos fortalecer. Das perdas se constroem os ganhos, saibamos nós dissecar as aprendizagens que nos são oferecidas quando as situações não vão ao encontro dos nossos desejos.

Espero acabar o que comecei à alguns anos e já deveria ter acabado. Está – me a provocar gastos e frustração desnecessária – a especialidade.

Desejo mais tempo para mim, para a minha família, para os que me são queridos e me fortalecem com a sua presença. Só esses valem a pena. Só aqueles que são capazes de ficar, nos bons e nos maus momentos, merecem o melhor de nós.

Poupar, para não voltar a deixar apanhar-me no despesismo alheio.

Exercitar a minha memória e a minha atenção, focar-me no essencial e reaprender a programar e planear com sentido – demasiados anos de serviço de urgência, burnout e excesso de trabalho destroem a nossa capacidade de pensamento estruturado, simples e eficaz.

Voltar a redescobrir os meus gostos particulares e peculiares, de que sou eximia defensora embora existam alguns que, sei-o agora, ficarão sempre comigo, mesmo que a memória teime em querer apagar tudo.

Dar todas as ferramentas necessárias para que os meus filhos saibam decidir com clareza e percebam a importância disso no seu futuro.

Tudo isto resume o meu desejo essencial desde que sou miúda. Quando vejo um avião, uma estrela cadente ou engulo à pressa as 12 passas que trago apenas porque a tradição assim o prevê: o que eu quero mesmo é ser feliz. Eu só não sabia é que a felicidade não é um estado.é uma escolha. Agora, já sei! Vou fazer por escolher ser merecedora da minha felicidade.

Feliz 2016!