Das máscaras de pobreza

Mais um fim de semana. Trabalhado, claro! Enquanto o estado do tempo é mais uma vez a grande preocupação dos foliões a mim preocupam-me as decisões sobre as 35 horas. Assim como me indignam (embora não me surpreendam) as opiniões que se mantêm sobre os funcionários públicos, essa massa anónima que serve para tudo neste país: desde a parte em que são impedidos, como o comum dos mortais ( neste país) de fugir aos impostos de todas as formas que consigam, até à parte em que podem sempre servir como arma de arremesso entre lutas sindicais/políticas ou até mesmo quando são transformados em bode expiatório para tudo o que está mal.
Sejamos sinceros, essa massa anónima é muito mais heterogénea do que aquilo que querem fazer parecer e o grande mal é  que por não se perceber as diferenças entre eles, a maior parte das decisões que se tomam tendo em conta “os funcionários públicos” vão ser quase sempre más medidas. Pôr no mesmo saco trabalhadores da área da saúde, educação, justiça, administração interna, serviço social é uma “sopa” de letras e números tão grande que nenhuma medida que pretenda atingi-los a todos vai ser unânime.
Pela parte que me toca, pediram-me um esforço que significou retirar tempo de qualidade aos meus filhos e à minha família, baixando o preço da minha hora de trabalho. Recebo menos e trabalho mais horas. Em troca prometeram-me não falir o meu futuro. Cumpri. Trabalhei mais, retirei tempo, memórias e vida em comum aos meus. Terão os responsáveis cumprido a sua parte?

Como funcionária pública não tenho direito a carro de serviço, nem a telemóvel de serviço nem tão pouco a prémios de produtividade. Nem sequer tenho direito a transportes públicos se for essa a forma que escolher para ir trabalhar. Não vou, se não tiver carro próprio. Desconto sobre tudo aquilo que ganho sem possibilidade de fuga ou de ganhos ” por baixo da mesa” . Produza muito ou pouco, o estado, meu patrão ( todos nós) não me gratifica de nenhuma forma especial, nem sequer me dá possibilidade de subida na carreira, ou seja, todo o esforço que faça de actualização ou formação servirá apenas como gratificação pessoal sem antes,com isso, gastar mais dinheiro e tempo meus e dos meus filhos.
Foi assim que se aumentou o absentismo, o cansaço e tenho para mim que os supostos ganhos à custa dos funcionários públicos, aqueles que nos cuidam da saúde, da educação e da celeridade e qualidade  da justiça ( por exemplo) se vão pagar caros a curto e médio prazo.
Não peço muito, só peço o que é meu: as ditas 35 horas de trabalho semanal que, como se sabe, nem essas são unânimes em todo o sector  público.

Espero que o vosso Carnaval não seja tão trabalhado como o meu, faça chuva ou faça sol.