Iluminados

Faltou a luz. Por aqui falta muitas vezes a luz, talvez não tanto como antigamente mas à conta de nos habituarmos já consideramos normal.  Sempre que chove, que faz uma rabanada de vento, ou um pequeno trovão vem saudar como é o hábito da planície, a luz foge-nos dos olhos e por aqui ficamos armados de lanternas, velas e outros apetrechos que quase que posso garantir não faltarão na casa de um alentejano. Pelo menos destes alentejanos que vivem à beira mar.
Não gostando de ser alarmista e sabendo que vivemos num jardim à beira mar plantado, pergunto-me muitas vezes o que aconteceria se houvesse uma tempestade a sério. Estaríamos provavelmente às escuras, a lutar contra a intempérie, levando a braços a herculeana tarefa de salvar o que é nosso. Sendo a electricidade um serviço pago ( e a preço de ouro) não seria no mínimo (dos mínimos) sensato que o prestador dos serviços se justificasse ou reflectisse no seu crédito esta má prestação? Talvez seja só eu, demasiado exigente. Penso nisto muitas vezes mas, no fim, acabo sempre por confiar que nada de muito mau poderá acontecer e, como boa portuguesa, encolho os ombros e penso que, na realidade, até já nem me importo com os cortes da luz. Quem viveu uma vida habituada a não ter luz nestas ocasiões, nem lhe passa pela cabeça que possa haver quem lhe pareça que isso não é normal.