Respira

Inspira. Expira

Inspira

O que sentes entre o peito cheio e a necessidade vital do exalar?

Expira

Inspira

E se fosse esta a última vez? Do que terias mais saudades? Do que te arrependerias? Que palavras engolirias num esforço amorfo por apagar memórias que não irias querer deixar ?

Expira

Foi só um exercício. Às vezes entre os infinitésimos de vida, que passam entre o ir e voltar de um peito que já pouco sente além do ar, o pensamento esvoaça por caminhos onde a lógica já não mora. São exercícios de liberdade de pensamento que me servem só a mim. Um peito por onde só as correntes de ar têm passagem, liberta espaço para as fugas de energia que não sabe por onde ir. Um canal colateral, de um caldo escondido com propriedades desconhecidas. Uma cratera fechada à custa do tempo e das intempéries. 

O amor é a maior de todas as curas e o pior dos venenos. Bebe-se como taça de vinho em dia de festa e sem conta, vive-se com a desgraça das consequências.

Inspira
Expira

A calma que o ar trás à passagem não enche o peito mas acalma. O colo que se movimenta não dá sustento. O que nos foi sugado não se pode partilhar e apenas o ar preenche o espaço onde o calor devia bater a um ritmo certo. 

this is the end of this book
Thank you for your suport