É a vida !

Hoje ouvi esta música no blog do Pedro Rolo Duarte que costumo ler e adorei-a. Mais uma vez foi amor à primeira nota.

Pegando no título da música, é a vida!, vou partilhar convosco uma reflexão muito simples que me veio à cabeça enquanto prestava os meus cuidados na UCINT.

Na unidade há televisão e enquanto uma das doentes seguia a novela que pelos vistos vai na 2 temporada ( as nossas novelas já têm temporadas?? Ui! ) lembrei-me que não vejo uma novela desde o tempo em que o Diogo Morgado ( ergam uma estátua aos pais que fizeram aquela obra de arte) fazia de Santiago e a novela, de que não me lembro o nome, tinha como genérico uma música dos anjos que eu gostava.

Passaram vários anos , a minha vida mudou tanto…

Ainda gosto de ficar a vegetar, sem pensar em nada de especial ( talvez por isso insista em escrever quando já devia estar a descansar, que o dia começou cedo e cheguei há pouco mais de meia hora) .

Agora utilizo o facebook ou o blog para desanuviar, para fazer a pausa entre o dia e a noite. Das novelas guardo a lembrança que me faziam sonhar. Hoje já não consigo. A ficção deixou de ter em mim a magia que tinha, o de dever continuar a sonhar.

A realidade às vezes embrutece-nos. Não sei se estou mais bruta mas estou de certo mais sincera. Já me é difícil esconder quem amo. O amor tornou-se um conceito muito mais amplo onde cabem os filhos, os pais, a família, os amigos, às vezes as oportunidades que a profissão me dá de identificar esse amor que ainda existe.

Do outro, a que sempre chamei amor, e hoje adjectivo de conjugal, acredito quando vejo casais de namorados com mais de 60 anos, famílias criadas, preocupação sincera e amor que transparece no desespero de quem procura em nós, profissionais de saúde, a resposta que querem ouvir. Sei que eles existem por aí, os casais felizes e rejubilo de cada vez que consigo identificar um.  É essa a minha fonte de esperança, não a ficção.

Nesses tempos que utilizo para vegetar e vou lendo algumas coisas no facebook,  reti ultimamente que nos chamam a geração das mulheres inamoráveis e pergunto-me porque será (?) Será o problema nosso? Ou “deles”? Não andaremos todos muito mais preocupados com o que gravita em torno daquilo a que chamamos amor e nos esquecemos de nos preocupar realmente? Será o eu mais importante ou o nós? Será que nos casais felizes um puxa e outro empurra ou farão o mesmo movimento sincronizado mediante a situação assim o exija? Perguntas para as quais não encontro resposta.

E vou-me deitar que para vegetal estou a pensar demais e amanhã o dia começa cedo outra vez. É a vida!

The sound of silence

Hoje é isto

Ouvi-os, pela primeira vez na rádio comercial e foi amor à primeira nota. Já gostava da versão original mas esta é toda ela, eu. A voz deste homem entra-me directamente no coração e lembra-me o que fui, que fez de mim o que sou hoje. Como os meus gostos podem passar de um extremo ao outro num abrir e fechar de olhos e isso não significar inconstância mas sim mente aberta a tudo o que é novo ou diferente.

Nunca julguei ninguém pelas aparências e não me assusto facilmente com o aspecto físico. Detesto rótulos ou grupos estereotipados e navego bem em qualquer onda. Gosto de descobrir pontos comuns e sobretudo gosto de saber o que é que, e como pensam as pessoas para me conseguir colocar no lugar delas. Dou por mim sem querer a catalogar grupos não pelo aspecto mas pela forma como pensam o que no limite poderá ser também uma forma de estereotipar 

De todas as vezes que me cruzei com personagens só me lembro de me ter assustado uma vez: festival sudoeste, um dos primeiros ( só fui aos 3 primeiros mas acho que foi mesmo o primeiro) . Concerto dos blur, que ainda hoje adoro, mas uma noite demasiado pesada. A meio do concerto tudo turvo. Nestas alturas lembrava-me sempre dos conselhos da minha avó e das atitudes do meu pai em situações idênticas ( se não sabes o que fazer a seguir, finge que vais c….r e vai-te embora) quando se dá pela falta dele já ele lá não está. Disse a 2 pessoas para que soubessem onde estava e desapareci. Deitada fora da tenda, a olhar as estrelas, a tentar ouvir o concerto, à espera que o globo terrestre diminuísse as voltas que tinha decidido dar sobre si mesmo nessa noite, comecei a ouvir passos. Era enorme ou pelo menos assim me pareceu. Tatuagens e piercings eram mais do que estrelas no céu. Tive medo, pela primeira e senão a última não me lembro de outro susto assim. Sozinha, se gritasse ninguém me ouviria naquele lugar e com o som do palco. Enfrentei. Deixei-me estar, como se nada fosse. Aproximou-se e a voz desconstruiu por completo a figura: boa noite. Apontou o garrafão de água à porta da tenda e perguntou, dás -me água? Dou, mas tens que beber num copo que aí ninguém mete o gargalo. Riu-se, dei-lhe o copo e a água, repetiu, agradeceu e foi-se embora. Não voltei a ver a figura no dias restantes mas serviu-me de ensinamento. Por muito que seja corajosa há procedimentos de segurança que nunca se devem ignorar, um deles é nunca ficar sozinha num descampado onde ninguém te possa ajudar em caso de necessidade ( isto foi no tempo em que não haviam telemóveis, bem entendido) . Também serviu para a certeza de que o aspecto vale zero na consideração a qualquer pessoa.

Fora das histórias, esta voz mexe comigo, especialmente na parte final da música que demonstra a potência e claridez que também pode ter uma voz forte. Isso e o arranjo. Extraordinário!

Da vontade ( que não tenho tantas vezes) de cozinhar

A moda do brunch é uma moda de que gosto bastante. Embora nunca tenha tomado ( é assim que se diz?) um brunch nesses lugares da moda ( só se fosse doida é que me “desabalava” daqui até Lisboa para tomar um brunch – que seria ou uma barrigada de fome ou quanto muito um jantar) o que é facto é que o brunch serve para mim por dois motivos: primeiro porque me faz lembrar os lanches ajantarados que por aqui se fazem e que são óptimos na casa dos meus pais e em segundo porque em dias que saio de vela ( ou seja em que saio depois de fazer uma noite) apesar de tomar o pequeno almoço antes de me deitar, é certo que não vou acordar para almoçar e quando acordo apetece-me tudo menos fazer almoço de faca e garfo.

A alimentação saudável sempre foi uma preocupação na nossa casa. A minha mãe para além de ser professora primária e passar esses ensinamentos aos alunos ( onde eu ainda me incluí, antes da lei que proíbe que isso aconteça) também os aplicava em casa. Lembro-me das inúmeras tentativas falhadas para me fazer comer espinafres, de que não gostava de maneira nenhuma e que hoje são um dos meus vegetais favoritos ( engraçado como evoluem os nossos gostos).

Também durante o curso a disciplina de nutrição foi uma das que mais gostei e a que me fez perder menos aulas ( porque o que gostei mesmo desse tempo foram as “cadeiras” nocturnas em que fui aprovada sempre com distinção, eheheheh).

O meu professor, nutricionista à altura, no hospital pediátrico de Coimbra passou-nos – pelo menos a mim – para além das noções básicas, a importância da alimentação no aumento da qualidade de vida em muitas patologias sobretudo as metabólicas.

A obesidade é a epidemia do século e a obesidade infantil é um problema que se não for diagnosticado e tratado a tempo pode ser um grave problema no nosso futuro. Para além da má alimentação que se faz hoje, principalmente devido à quantidade de alimentos processados que incluímos na nossa alimentação e ao aumento da qualidade de vida que nos fez consumir muito mais do que necessitamos,  o sedentarismo, a falta de prática desportiva, a falta de brincadeiras e corridas na rua também contribuem para o aumento da obesidade.

Os lanches ajantarados na casa dos meus pais incluem ainda hoje – ainda bem – sobretudo marisco ou grelhados de coentrada ou aproveitamento daquilo a que chamamos os restos de outras refeições ( assim de repente lembro-me das sardinhas de tomatada que são a minha perdição) mas algumas noções antigas e erradas levam a que por vezes se cometam alguns erros, nomeadamente na quantidades de batata consumida e na quantidade de carne gorda e vermelha consumida por semana. Já eu prefiro as aves exceptuando a caça ( apesar de ter um pai caçador, não sou grande fã de carne de caça)

Por aqui, hoje, deu-me para as panquecas. Depois de uma procura na internet encontrei esta receita do blog my casual brunch de que fiquei fã e já sou seguidora. Como é lógico tive que mudar tudo ( é uma coisa que “se me” está entranhada na raiz, o que é querem? ) e o nome não pode servir para as minhas panquecas, mas segui as proporções: como não tinha farinha de gérmen de trigo usei a que mais gosto, ou seja, farinha de milho e cá em casa não se usa leite magro, que me sabe a água, mas leite meio-gordo. A acompanhar as panquecas foi necessário aproveitar o que por aqui há em casa. Até porque prefiro o produto nacional às ” modernices importadas”. Nada contra as importações mas porque é que hei-de usar queijo quark se posso usar queijo limiano, que até já existe com menos gordura? Ou queijo fresco de que gosto tanto? Não faz o mesmo efeito cremoso? Logo descubro algo nacional que o faça. Adiante: Queijo, doce de morango e amoras produzidas mesmo aqui ao pé . Ficaram uma delícia e até o pequeno esquisito da casa aprovou. Acho que vou repetir a receita mais vezes.

Da importância da gentileza

Há muitos anos disseram-me que era parecida com esta sra. Hoje ouvi na rádio uma música ( não foi esta) que pensei que fosse dela e vim procurá – la. Encontrei esta melodia ( com esta letra que me diz tanto) e lembrei-me deste espectáculo que tive a sorte e a felicidade de ir ver, só, ao coliseu. Um espectáculo fortíssimo e inesquecível. Só lá, consegui entender a parecença. Concordei. Para não variar chorei em algumas partes do espectáculo, o impacto da voz e das letras com a melodia é, tantas vezes, tão emocionante para mim que não consigo controlar o que sinto. Tenho saudades desses tempos em que podia ir assistir aos espectáculos que mais gostava ou que me suscitavam interesse, quer fosse sozinha ou com companhia. Mas o mundo gira a vida é um circo e o passado não regressa, só o presente se pode moldar ao nosso jeito. Tenho hoje outras coisas, que substituem essas, nomeadamente a possibilidade de não precisar de ir sozinha assistir a qualquer coisa, mesmo que sejam na sua maioria eventos desportivos. Talvez com o tempo regressem os espectáculos, por agora ainda não são susceptíveis de criar interesse na pequena mancha masculina cá da casa e há artistas que me recuso a ouvir. 
Gentilezas são hoje as grandes diferenças que nos separam e o amor é a única forma de as passarmos aos que nos são queridos, mesmo que por vezes seja muito difícil. O silêncio é um bom contentor de desespero e frustração e a forma mais gentil de mostrar o desagrado. A boa música a melhor forma de tratamento para as coisas do coração. É difícil, sobretudo para mim que tenho esta forma explosiva/reactiva, que nem sempre consigo controlar. Mas tento, todos os dias tento melhorar. Porque contínuo a acreditar no amor, apesar de tudo.