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Carta, com música, para a minha mãe

Querida mãe:

Há sempre tanta coisa que se diz e nunca nada será suficientemente justo para te definir. Aproveito a letra do Vasco, do programa da manhã da rádio comercial, que te ensinei a gostar de ouvir, porque de todas as coisas, o que mais gosto, mesmo, é de te ouvir rir. Não sou eu que o digo, são as pessoas que nos conhecem que dizem que temos uma voz parecida. O riso então é quase um plágio. Além disso o Vasco, com a sua letra, e a rádio comercial no seu vídeo dizem tudo e fazem-no com uma qualidade que eu não conseguiria superar

Para além disso, transcrevo aqui um dos poemas do meu livro Versejando pelos caminhos da Alma, que um dia escrevi porque foste tu que me ensinaste a escrever, para além daquilo que me ensinaste a ser. Porque foste tu com as ofertas dos teus livros em branco, que me incentivaste, sempre, a escrever e porque eu sei, porque sempre adorei história, sobretudo a minha história genealógica, que esta veia poética e artística me foi transmitida pelo teu lado da família, que apesar de por vezes te fazer sofrer, é o meu braço esquerdo da vida, de que, ao contrário do que tu pensas, sempre me orgulhei muito –  foi do lado esquerdo que a natureza nos colocou o coração !  Beijinhos e obrigada  

E só não coloco aqui uma foto tua porque desconfio ( com quase a certeza) que não irias gostar 😀 

Para a mãe segura
Talvez eles que nasceram de nós,de nós não sejam mais do que amor
O rio que nasce e corre para a foz, não lembra a nascente no seu esplendor
No ventre resguardamos tempestades,
protegidos de sangue, lágrimas e ódios
perdem-se depois por más vontades,
em caminhos que nada têm de sábios.
As desculpas que em nossos passos vamos rezando em longas orações
enchem de mágoas os olhos molhados,de feridas abertas, nossos corações
Se de bem ou mal ficam os gestos
que da pressa ou enganosas esperanças
não nos poupamos de efeitos inversos
daqueles por quem lutamos, sem cobranças
Se de pedra fiz este momento, por amor maior,  o quis assim
que o Homem maior é o projecto, por ele anulo partes de mim
mas não te iludas amor maior,
porque recebes com egoísmo,
tudo o que te derem do seu valor
impedirá futuras quedas no abismo
 Assim mãe que serás má por não permitires discórdias
haverá quem, assim que vás, se lembre, para sempre, das tuas histórias

Lou Alma , Versejando pelos caminhos da Alma , 2010

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