Quando apetece viver de novo

Provavelmente será dos dias de sol. Qualquer pessoa sabe, hoje em dia, e está descrito na literatura, que o sol renova o nosso estado de espírito, levando para longe , pelo menos nos próximos meses, o estado depressivo em que os portugueses ( pelo menos os da dita classe média) se habituaram a viver sobretudo à custa dos muitos esforços que têm que fazer para manter o orçamento equilibrado. 
Não é novidade para ninguém que os últimos sete anos têm sido difíceis para mim. Costumo dizer que as derrotas nos ensinam muito mais do que as vitórias e saber perder é uma virtude, mas não é fácil. 
Tenho aprendido muito, sobretudo ao nível do auto-controle e dessa “ciência” ou arte em que, me parece, os portugueses ainda são fracos, que é a de saber consumir sem dar grande importância e aprendendo os truques com que a publicidade nos pode iludir. Digo por graça ( e papá não fiques sentido, que esta é uma das minhas muitas piadas que tu por vezes não entendes) que estou a ficar mais forreta que o meu pai e que, quando chegar à idade dele, vou ser pior que o tio Patinhas, essa personagem da Disney, que entre muitas, fez parte dos meus encantos e literatura de infância ( sempre adorei banda desenhada). 
O IRS está entregue na tentativa por vezes infrutífera de me desabituar do grande defeito português de deixar tudo para a última hora ( aprendi isto sobretudo à custa dos 11 anos  num serviço de urgência, quase sempre a trabalhar nos limites mínimos de pessoal necessário, e em que ao mínimo descuido tudo pode “descambar” se não se cuidar para que o que deve ser feito o seja atempadamente). 
Sou adepta das compras on-line, não porque não seja a favor do comércio tradicional, muito pelo contrário, mas porque consigo fazer um melhor controlo dos gastos – depois das compras feitas, se o preço não for satisfatório pode sempre voltar-se a trás e verificar tudo o que é supérfluo, o que não dá muito jeito quando já estamos na caixa do supermercado. Além disso poupa-se em gasolina, que se tornou, apesar do preço do petróleo estar a baixar, num produto de luxo, mais uma vez devido à carga fiscal que somos obrigados a suportar. Mas para que tudo corra bem é necessário estar sempre em cima das transações e saber reclamar os enganos, pedir explicações e estar atento, sempre com uma grande dose de paciência e boa disposição, para não tornar a vida num corrupio de irritações que não me fazem bem à saúde, agora que sei que sofro dos males da ansiedade ( quem diria). 
Por causa dela (a ansiedade) o meu conforto tem sido a minha maior prioridade, sendo que, para me sentir confortável é primordial que os meus filhos sejam felizes e estejam bem. No entanto eu não me esgoto neles. Por causa disso, foi urgente fazer mudanças na minha vida que até agora se têm revelado positivas. O meu tempo de serviço de urgência esgotou-se, embora o doente crítico continue a ser a minha “paixão” em termos profissionais. Foi assim que comecei com os prematuros e as crianças e é assim que quero continuar, embora agora mais dedicada aos adultos. Defini para os próximos tempos  3 objectivos, pessoais e profissionais. Um iniciei-o há pelo menos 2 semanas ( e não, não vos vou dizer quais são, reservo-me o direito de me resguardar contra a frustração que não me faz sentir confortável) e por agora não está a decorrer com a celeridade que pretendia mas talvez seja normal que assim aconteça. Os outros dois inicio-os hoje com data prevista de concretização para Setembro. Já tenho mais objectivos em vista, claro! São os objectivos que nos mantêm vivos e motivados. Sem objectivos a vida torna-se num amontoado de dias no calendário sem qualquer significado. A vida é demasiado rara e preciosa para ser vivida assim. Desejem-me sorte…    

foto tirada e trabalhada por mim, junto ao “novo” resort beach and golf  na herdade do Pinheirinho