Coisas que me apetecem dizer

Chegada a casa depois de mais uma noite, gosto de, antes de descansar ( ritual imprescindível – já lá vai o tempo em que depois das noites conseguia fazer um dia normal – aliás não sei se alguma vez vivi esse tempo, eheheh) ler as notícias do dia. Quase como se ao pequeno almoço lesse os jornais diários como antigamente se fazia, só que agora leio as notícias na internet. Um dos meus blogs favoritos para este efeito é o delito de opinião . Gosto particularmente dos diferentes pontos de vista que cada um tem ao abordar um mesmo assunto e sobretudo da forma democrática como permitem uns aos outros os seus ideais. Um exemplo de democracia, portanto.

Há já algum tempo que esta história do patrocínio estatal a algumas instituições de ensino privadas me anda a causar comichões . Sendo que, para falar do assunto  necessito fazer uma auto-avaliação, que me permite falar sobre o assunto com alguma propriedade. O meu filho mais velho frequenta o ensino estatal. Aliás frequentam os dois porque por aqui não existe oferta privada e se a houvesse provavelmente não teria hipótese sequer de poder pensar em ser uma hipótese para nós. No entanto o mais velho frequenta aquilo que se chama o ensino integrado onde com o apoio do estado uma escola particular de música ensina a várias turmas, as que o escolheram, o nível básico do ensino de música integrado no ensino regular. O meu filho tem uma carga horária superior em relação às turmas do ensino regular e a escola de artes de Sines presta um serviço público diferenciado patrocinado pelo estado. Nada a ver com o estado patrocinar aquilo que consegue oferecer.

Sou absolutamente a favor do descrito no artigo que selecionei no link. Indigna-me que ainda exista quem pense que é pensamento de esquerda saber definir muito bem as obrigações do estado. A educação, a justiça, a saúde e a segurança social são obrigações do estado. Senão para que serviria essa instituição anónima a que chamamos estado e que tem como função proteger os que necessitam com o apoio de todos nós, para além de ser responsável por gerir o dinheiro que lhe confiamos, para que torne a nossa vida mais fácil e mais segura. De outra forma não tem sentido a noção de estado. Tal como não tem sentido o patrocínio de instituições que oferecem serviços que não estão disponíveis para todos com o dinheiro de todos.

A escolha entre o público e o privado é uma decisão dos pais e só devem ser patrocinadas as instituições que se substituem ao estado quando este não pode suprir as necessidades. Tudo o mais é desperdício que poderia ser utilizado para melhorar as condições das escolas públicas, a qualidade do ensino e a equidade da oferta. 

O que me leva à triste conclusão que tirei há alguns anos a esta parte. A maior parte das Jotas estão infestadas de “jovens” privilegiados, que não fazem ideia de como é o país real, de quanto custa a uma família de classe média ou baixa educar os seus filhos. Gente que, nos corredores desses lugares de onde nunca saíram para ver o mundo real, continua a pensar que Portugal é Lisboa, Porto e Coimbra e que o resto é paisagem. Comparar qualquer coisa que se passe neste momento em Portugal com o Stalinismo é no mínimo revelador de um profundo desconhecimento da história do século passado e ofensivo para os milhares que morreram no exílio às mãos desse ditador. Se este o é, o outro o que foi?

Não há dinheiro para diminuir a carga horária de trabalhadores como eu, que sofrem na pele a consequência do excesso de horas de trabalho por turnos, mas há dinheiro para pagar a alguns meninos aulas de equitação e piscinas olímpicas? Façam -me o favor de crescerem e aparecer, não sejam ridículos e não gozem com quem paga impostos….Pelo amor de Deus!

” A Deus o que é de Deus a César o que é de Cesar”  disse o Senhor perante uma moeda cunhada com a cara do dito. Tenho dito!