Das superiores valências da família

Acordo às 17.30 a pensar que é bem mais cedo e na lenta preguiça de quem tem o relógio interno avariado deixo-me estar a alongar ( que é uma forma bonita de dizer que pareço um gato a espreguiçar – me). Olho finalmente ao relógio e descubro que estou novamente atrasada. Felizmente o pai António tem aquelas premonições fantásticas e telefona na altura certa: Quem vai buscar o menino? Podes ir tu pai? Acordei agora.

Quanto não vale um avô? Não posso dizer, que não conheci nenhum mas sei exactamente o valor de uma avó e este avô é para os meus filhos tanto ou mais do que foi para nós, as filhas. É o meu verdadeiro braço direito desde sempre.
Apesar das horas tardias incrivelmente estes dias têm tendência a render-me em trabalho, quando descanso, e foi o que se passou. Pus a carne a marinar mais cedo, em vinho tinto, limão, alho, coentros e louro, com um toque de pimenta e sal, que não tenho jeito para coisas demasiado elaboradas e fui tentar terminar o jardim. Afinal os 150 kg de pedra não chegam e vou precisar de mais. A mesa aguarda agora que a lixe e a pinte que o verão passado e a cera das velas pela noite dentro deixou marcas que têm que ser tratadas. Falta o sombreiro: o do ano passado ficou feito em fanicos nas primeiras chuvas de Outono. Falta a horta.

Pelas minhas previsões lá para o fim do Verão sou capaz de ter a esplanada pronta, eheh. O pobre do anão também está a precisar de nova pintura e assim me vou entretendo entre lavar e estender roupa. Para não variar os planos do jantar saem furados. O que era suposto virem a ser costeletas panadas torna-se numa nova invenção minha já que os ovos caseiros estavam estragados ( confio cegamente nos truques antigos e ovos que bóiam são para jogar para o lixo) . Farinha de milho, envolve-se bem e tudo para o azeite. Um puré de batata e o comum, um adorou o outro detestou: o normal! Como somos a trupe da sopa, está sempre a refeição salva em caso de desgosto. Depois disto tudo passar roupa a ferro que o mais velho vai de fim de semana grande com o pai para Lisboa. A esta hora olho para as fotos do quintal e penso que não ficou mal de todo e no que posso melhorar.

A Marilyn repousa ao meu lado ( estou a adorar o livro – curioso como os nascidos nos mesmos lugares têm memórias que poderiam chamar-se comuns: é quase como se estivesse a ouvir a minha avó a contar uma qualquer estória das do tempo dela e isso dá -me um conforto que não consigo explicar e leva-me a querer saber mais da estória que se conta, bem contada, no livro) mas não sei se a meia benzodiazepina me vai deixar ler a seguir. É que, infelizmente, embora esteja cansada, o corpo provavelmente vai querer ir trabalhar outra vez esta noite, apesar de amanhã ser realmente feriado para mim. Rotinas são óptimas e a falta delas arrasa-nos com o tempo livre. Boa noite!