Da vontade ( que não tenho tantas vezes) de cozinhar

A moda do brunch é uma moda de que gosto bastante. Embora nunca tenha tomado ( é assim que se diz?) um brunch nesses lugares da moda ( só se fosse doida é que me “desabalava” daqui até Lisboa para tomar um brunch – que seria ou uma barrigada de fome ou quanto muito um jantar) o que é facto é que o brunch serve para mim por dois motivos: primeiro porque me faz lembrar os lanches ajantarados que por aqui se fazem e que são óptimos na casa dos meus pais e em segundo porque em dias que saio de vela ( ou seja em que saio depois de fazer uma noite) apesar de tomar o pequeno almoço antes de me deitar, é certo que não vou acordar para almoçar e quando acordo apetece-me tudo menos fazer almoço de faca e garfo.

A alimentação saudável sempre foi uma preocupação na nossa casa. A minha mãe para além de ser professora primária e passar esses ensinamentos aos alunos ( onde eu ainda me incluí, antes da lei que proíbe que isso aconteça) também os aplicava em casa. Lembro-me das inúmeras tentativas falhadas para me fazer comer espinafres, de que não gostava de maneira nenhuma e que hoje são um dos meus vegetais favoritos ( engraçado como evoluem os nossos gostos).

Também durante o curso a disciplina de nutrição foi uma das que mais gostei e a que me fez perder menos aulas ( porque o que gostei mesmo desse tempo foram as “cadeiras” nocturnas em que fui aprovada sempre com distinção, eheheheh).

O meu professor, nutricionista à altura, no hospital pediátrico de Coimbra passou-nos – pelo menos a mim – para além das noções básicas, a importância da alimentação no aumento da qualidade de vida em muitas patologias sobretudo as metabólicas.

A obesidade é a epidemia do século e a obesidade infantil é um problema que se não for diagnosticado e tratado a tempo pode ser um grave problema no nosso futuro. Para além da má alimentação que se faz hoje, principalmente devido à quantidade de alimentos processados que incluímos na nossa alimentação e ao aumento da qualidade de vida que nos fez consumir muito mais do que necessitamos,  o sedentarismo, a falta de prática desportiva, a falta de brincadeiras e corridas na rua também contribuem para o aumento da obesidade.

Os lanches ajantarados na casa dos meus pais incluem ainda hoje – ainda bem – sobretudo marisco ou grelhados de coentrada ou aproveitamento daquilo a que chamamos os restos de outras refeições ( assim de repente lembro-me das sardinhas de tomatada que são a minha perdição) mas algumas noções antigas e erradas levam a que por vezes se cometam alguns erros, nomeadamente na quantidades de batata consumida e na quantidade de carne gorda e vermelha consumida por semana. Já eu prefiro as aves exceptuando a caça ( apesar de ter um pai caçador, não sou grande fã de carne de caça)

Por aqui, hoje, deu-me para as panquecas. Depois de uma procura na internet encontrei esta receita do blog my casual brunch de que fiquei fã e já sou seguidora. Como é lógico tive que mudar tudo ( é uma coisa que “se me” está entranhada na raiz, o que é querem? ) e o nome não pode servir para as minhas panquecas, mas segui as proporções: como não tinha farinha de gérmen de trigo usei a que mais gosto, ou seja, farinha de milho e cá em casa não se usa leite magro, que me sabe a água, mas leite meio-gordo. A acompanhar as panquecas foi necessário aproveitar o que por aqui há em casa. Até porque prefiro o produto nacional às ” modernices importadas”. Nada contra as importações mas porque é que hei-de usar queijo quark se posso usar queijo limiano, que até já existe com menos gordura? Ou queijo fresco de que gosto tanto? Não faz o mesmo efeito cremoso? Logo descubro algo nacional que o faça. Adiante: Queijo, doce de morango e amoras produzidas mesmo aqui ao pé . Ficaram uma delícia e até o pequeno esquisito da casa aprovou. Acho que vou repetir a receita mais vezes.