De mim mesmo: Resistência todo o terreno

Feito. Não em modo perfeição mas a perfeição não existe. Exausta. Claro: naquela fase em que excusam de me pedir para pensar, ou para fazer, que não consigo. É nestes momentos que nos valem os amigos, os verdadeiros. É por isso que a minha política é há muito que quem sabe dar e receber merece reforço positivo, quem sabe receber só merece o reforço que dá. A sua própria moral é cada um que a faz. Quem não tem moral para dar não vale a pena pensar que vai receber de mim mais do que aquilo que merece. Tenho as minhas contas ajustadas com o Deus que me deram a conhecer de pequena. E esse era um Deus justo. A justiça pode demorar mas sempre acontece, sem se fazer mais do que esperar. Esperar pela minha vez , esperar pelo que necessito aprender, esperar pelo tempo certo que, acredito, há – de estar reservado para o que mereço. Sempre fui muito consciente daquilo de que sou capaz. No tempo certo. Pena que ainda haja quem não perceba esta minha capacidade de ter uma paciência de Chinês, bem disfarçada num corpo demasiado activo que por vezes me leva ao chão. Só que, no tempo que leva a minha vida, não houve uma única vez que não me conseguisse levantar. Mas isso só muito poucas pessoas sabem, só aquelas que merecem o melhor de mim!

Sem título

O excesso de trabalho ainda me assusta. Esporadicamente tenho reminiscências do tempo em que o pânico era o meu mais fiel companheiro, mas já não cedo à tentação de me deixar levar. Hoje foi um desses dias. Curiosamente só acontece em lugares onde nos sentimos seguros. Chegada a casa e eis que os cavalos a trote se instalam na minha jugular e o peito quer encher-se de ar, mas a sensação é que o ar nunca é o suficiente para saciar a minha fome de oxigénio. Estudei o meu pânico até ao limite, até perceber todos os seus “comos” e “porquês”. Ponho o cronómetro no minuto e toca de avaliar o meu ritmo cardíaco – 86 bat.min – perfeitamente normal. O ar teima em não querer ser suficiente e tento perceber o porquê. Demasiados pensamentos, demasiadas coisas por fazer, tempo de menos para parar e organizar tudo, perceber o prioritário e no que não vale a pena insistir.

Ando novamente a tentar motivar-me para terminar o que iniciei em 2013. Obriguei-me a parar quando após a leitura, a cabeça se mantinha oca, sem reter qualquer conteúdo do que acabara de ler. Depois de decidir parar, recomeçar tem sido uma batalha contra mim. Não consigo entender os porquês mas talvez seja o medo da sensação de bloqueio mental, da exaustão. É difícil de explicar o que sente quem vê as suas capacidades cognitivas diminuirem dástricamente por cansaço. É dificil explicar o que se sente quando o cansaço é tanto que queremos obrigar o corpo e a cabeça a parar e eles simplesmente não respondem aos comandos. Continuar era o único objectivo, resolver os problemas o pensamento recorrente, um depois do outro, sempre, como se olhasse à volta e os meus problemas fossem uma pilha de papéis jogados numa secretária. Pegava num e logo caiam dezenas de outros tantos que nem percebia, grande parte das vezes, de onde surgiam.

Hoje tenho novamente um trabalho para terminar. Talvez venha daí a amostra de pânico. Aqui estou, a tentar distrair-me, procrastinando, atrasando o que tem que ser. Com medo de me deparar de novo com a sensação de não conseguir encadear conceitos, de não conseguir raciocinar . Ponho música, preparo o ambiente, cada vez mais confortável, e ainda assim temo o inicio. Os gatos circulam em meu redor, alternam as brincadeiras com os mimos e pequenas sonecas. Os miúdos não estão para poder trabalhar melhor e eu escrevo aqui para me obrigar a terminar a tarefa. A vergonha de desculpas vai obrigar-me a terminar. Um dia vou ter que enfrentar as mazelas do esgotamento. Que seja agora…

Fenómenos do " desenrascamento"

É um fenómeno engraçado mas está mais do que provado e comprovado. Quando queremos muito que algo num dia específico aconteça parece que os dias demoram anos a passar. Quando estamos felizes num dia específico ele passa a correr. Depois há aqueles fenómenos estranhos como o que me aconteceu nos últimos dias, em que acontece tanta coisa ao mesmo tempo que em 3 dias parece que passou uma semana.

Já fomos ao veterinário com os novos membros da família e correu às mil maravilhas. Toda a gente continua a achar que não sou pura por ser dona de gatos pela primeira vez e ainda assim ter ficado com 3 :  Ahh! Valente!
Tudo normal, o que não seria comum era se entrasse numa nova aventura da forma prevista.

Aniversário, combinações de última hora: dá para petisco, jantar, café, conversa, passeio, praia, tudo o que normalmente demoraria dias a combinar. Saiu melhor que a encomenda e foi um dia muito feliz, obrigada ! 

Finalmente os planos estão a tomar forma. Ir ao Ikea é uma das minhas visitas ao shoping favoritas. Ando, imagino, decoro, renovo, invento, consigo utilizar coisas da forma mais imprevista e ainda tiro ideias para procurar soluções ainda mais baratas. Aquilo é um verdadeiro lego gigante, em que podemos inventar milhentas combinações e, pasme-se, se tivermos mesmo muitas saudades , ainda podemos montar como quando éramos crianças. Eu passo por todas as etapas, incluindo aquela do derrape do orçamento 😞 . Gasto sempre mais do que o que pensei, à partida, gastar e depois tenho que andar a fazer ajustes nas contas para poder fazer face a tudo o que estava previsto. Adoro o mês do subsídio de férias!

Ao fim de 2 anos de aqui estar, a casa vai finalmente tomando forma. Ao fim de 7 anos o martírio que encontrei com o fim da vida em comum está a aproximar-se do fim. ( Srs do portal das finanças, agradeço a libertação das verbas que me são devidas porque se fosse ao contrário por esta altura já me estariam a falar em juros, sim????!!!! Temos que ser uns para os outros)

A ida ao Ikea foi longa, divertida, proveitosa mas sobretudo cansativa pelo que foi necessário encostar-me ao estaleiro depois de fazer noite. O meu aspecto hoje era tão aterrador que os miúdos nem tiveram coragem de fazer fita quando lhes disse que estava imprópria para consumo e incapaz de ir para a praia como tínhamos combinado. É bom quando nos conhecem não só pelo que dizemos mas também com o que transmitimos sem falar e essa é uma capacidade que nem todos têm. Tenho feito esforços para lhes transmitir esses ensinamentos e parece que estão a dar resultado. Hoje tive direito a jantar ( feito pelo mais velho) e a limpeza e arrumação da sala/escritório/ biblioteca/playground – o lugar de eleição dos miúdos – pelo mais novo e pelo sobrinho, tudo à conta de umas olheiras que mais pareciam a cratera do Vesúvio.

Tanta coisa se tem passado – e se vai passar tendo em conta a quantidade de ” legos” que tenho para montar – que estes três dias parece que foram uma semana inteira de coisas feitas. Ainda deu para assistir à saída do Reino Unido da UE e ao que se passou em torno disso e pensar como é que alguém pensou que não era este o desfecho mais provável ( oi! People! O Reino Unido não aceitou a moeda única, certo? Eles têm a commonwealth certo? A pergunta certa – a que eu faço há já algum tempo – seria, como é que eles aguentaram tanto tempo???) A ver vamos o desfecho disto. A ver vamos as mudanças, a ver vamos os trabalhos que eu tenho que acabar até Setembro!  Adoro o tempo de férias, dá -me sempre mais energia para trabalhar😎