Errare Humanum est

Às vezes acho que a vida me dá uma folga apenas para que possa de novo aguentar os embates. Como se fosse um balão de ar em atmosfera adversa. Como se estivesse constantemente em apneia e me dessem oportunidade de vir a cima de água apenas para respirar, ganhar fôlego e mergulhar outra vez.

Depois de um fim de semana grande, de que não me lembrava já a última vez em que tive um, estou de volta ao activo.

Sempre fui à feira do livro, comprar o livro do Armando e pedir um autógrafo. Aproveitei para levar os miúdos a passear e perceberem onde estive à alguns anos e o que estive a fazer. Percebi, por uma curta conversa com o Armando que a decisão que tomei à algum tempo de esquecer a escrita de livros foi a mais correcta. A minha vida não me permite demasiadas liberdades orçamentais. Tentei não olhar para outros livros, para não cair na tentação de gastar mais dinheiro. O orçamento continua a ser o meu maior desafio mensal.

O torneio em Portimão levou-me ao   Algarve de onde trouxemos uma vitória expressiva e uma intoxicação alimentar ( o arroz de pato, está provado, não combina com o HCPG)  para além de momentos bem passados, conversa boa e de finalmente me ter cheirado a Verão.

Estou de volta à rotina e comigo a dúvida constante sobre se os caminhos que escolho serão os mais corretos porque isto de gerir afectos/razão, quando toca ao nosso sangue, é doloroso e difícil. Nem sempre as opções são as melhores. Como me disseram hoje e ainda estou a pensar nisso de tão acertado que achei: mais vale uma decisão do que não tomar nenhuma.

É isto que me faz continuar. Ainda consigo decidir e mesmo que decida mal, amanhã acordo de manhã ( fresca e fofa como um pão da bimbo) e posso sempre voltar a decidir, mudar caminhos, ver alternativas, arranjar soluções: “Errare Humanum est” ou como se diz em bom português, errar é humano.