Heróis do mar, nobre povo, nação valente, imortal – aqui começa a trapaça

Poderia dizer que entrámos mal, mas direi antes que entrámos como sempre, porque realmente é essa a minha opinião. Fiz uma pausa na tristeza para nos ver jogar e éramos nós que ali estávamos, campeões de bastidores, porque nem de bancada fomos. Uma seleção medíocre com 2 ou 3 grandes jogadores que, à sombra da fama, não fazem pela seleção aquilo que fazem pelos seus clubes, nunca percebi muito bem porquê. Falta-nos o sentido da nacionalidade. Somos sempre campeões antes de começar, depois vem a parte da realidade e voltamos à mediocridade que nos caracteriza ( “abençoada” a padeira que ficou com os louros de um dos maiores estrategas portugueses e ilustra bem o que pretendo dizer)

É uma selecção representativa daquilo que realmente somos. Medianos em altura e corpulência, com alguns, poucos, acima da média, numa miscelânea de cores e de tons universalisantes, que vestidos de qualquer uma das cores do sul passaria  por nação. Será provavelmente o fruto dos descobrimentos ou se preferirem de uma nação que há muitos anos se abriu ao mundo não por um objectivo concreto mas como forma de ultrapassar o marasmo, pensando que sonhando novos mundos eles nos compensariam. Puro engano, que a mediocridade nos serve apenas para abrir caminhos que outros virão atrás explorar.

Serviu para ficar ainda mais fã das terras do gelo. Dos que da grandeza que lhes tiraria velocidade, fizeram do bloqueio a sua melhor arma. Dos que, sendo ainda menos do que nós somos, se fizeram ouvir num grito de guerra e incentivo calando uma nação que se quer fazer grande, mas se rende ao pessimismo à primeira dificuldade. Falta-nos a moral. Preferimos a morte lenta e agonizante, a fome de tudo, à guerra. Continuamos a nação dos orgulhosamente sós, cada um a pensar no seu umbigo. Talvez não seja a saudade o que nos caracteriza mas o fado, o destino, que aceitamos, sem discutir ou questionar, porque se nos diferenciarmos alguém virá dizer que é apenas protagonismo e não mérito, alguém virá exigir que nos excedamos uma e outra vez. A mediocridade é confortável. Ficaremos contentes com um 3° ou 4° lugares e será bom. Desfilaremos o rol de dificuldades que nos fizeram abrandar e seremos orgulhosos dos nossos feitos que mais ninguém saberá muito bem quais foram. Deixaremos que joguem melhor que nós e no fim protestaremos que fomos roubados em vez de termos lutado na altura certa.

Já me convenci que faço parte de uma nação com estas características e tenho aprendido a viver dentro dela. Não me espantou o resultado, espanta-me é que ainda se espantem com ele. Não, não sou pessimista, sou apenas pragmática e já nem acredito que em tudo haja uma parte boa, o que pode haver, ou não, é vontade de aceitar o que se é ou passar a vida a sonhar que se vai ser o que nunca se foi e chamar-lhe psicologia positiva. Acho muito perigosa a ideia de que se lutares podes ser o quiseres. Criará provavelmente uma geração de seres frustrados que poderão ser perigosos. Prefiro acreditar que devemos estudar melhor as nossas características e a dos adversários tentando moldar-nos o melhor possível no sentido de obtermos resultados. É que ser apenas virtualmente campeão  é uma vitória que só interessa a quem não tem objectivos definidos, a quem lhe é indiferente as características únicas das peças que formam uma equipa. Uma perda/empate é sempre uma derrota, demos as desculpas que quisermos dar .