Sintonizada comigo!

O festival já tem 17 anos mas, na verdade, nunca tinha lá ido. Talvez porque o seu começo foi já depois de ter iniciado a minha vida activa, como enfermeira ( a respeito disso, parabéns a todos os do Grande XI curso da ESEBB porque fazemos hoje 18 anos de curso! ) e estava longe. Quando regressei ao Alentejo, comecei a perceber que as noites de FMM eram sempre demasiado”animadas” para o gosto de quem trabalha num serviço de urgência. Apesar de algumas colegas me dizerem: vai! vais adorar. Tem mesmo a tua cara – nunca me decidi a lá ir, achava que talvez já fosse “demais” para mim. Há certas festas que já não aguento ! Decidi-me a ir ontem, a convite de uma amiga com um ritmo de vida muito semelhante ao meu. Fui e adorei! E não é que aquilo tem mesmo a minha cara?!!! Há coisas para as quais algumas palavras não chegam. Deixo-vos um video de publicidade do ano passado, que me parece capta muito mais a essência da coisa do que os spot`s publicitários deste ano. É ver e ficar com água na boca para lá voltar, todos os anos!

Do outro lado da fronteira

Eram pálidas as luzes que nos guiavam

e eu tinha frio.

Naquela portela de um homem só

Teu líquido escorrendo

erriçava-me a pele.

Galinha fiquei,

com a pele como a língua de um gato, saliências

que me tornaram áspera.

Gélida mas desperta,

de olhos fechados

Para o querer

Ali bem perto a fronteira.

Um passo

e estamos de um outro lado,

dizias, numa outra língua,

a mesma terra fria

debaixo dos meus pés.

Pergunto-me porquê.

ultrapassei a fronteira

o meu sonho era queda

a tua água

sobre o meu corpo

a provocar sensações.

E tu a guiar-me,

através dos caminhos,

com as luzes ainda pálidas.

Nos teus olhos

Nós

Ainda tenho frio.

Mas voltei

À distância de um infinito maior

Lado a lado

Do outro lado da fronteira

Ainda a lutar contra a falta de energia

…depois há aqueles dias em que a maldita ataca e eu perco a vontade a força e a coragem. Só me apetece a minha casa e as minhas coisas. Para aqui andei, aos “trambolhões”, entre o sofá, o livro, a cama e a cozinha. 
Já há algum tempo que andava com vontade de ter uma máquina de pão. Fui descobrir uma, pouco utilizada, na casa da mãe, que reverteu em favor desta que por aqui “escrevinha” umas coisas. Como não podia deixar de ser, pus-me a inventar. A receita original seria esta , só que eu não tinha metade destes ingredientes, nem sabedoria e paciência para a fazer integralmente e por isso, inventei. Foi fácil: troquei a farinha espelta branca por farinha de trigo integral e a farinha de centeio por farinha de milho, as papas de aveia transformaram-se em 180g de flocos finos de aveia não coloquei o malte de cevada nem as passas que se transformaram em nozes ” a olho” . O fermento, embora não vá de encontro à filosofia inicial da autora, foi mesmo fermento quimico ( 25g) que era o que havia cá em casa. Tudo para a maquina do pão e em mais ou menos 4 h o resultado foi este : 

Para primeira vez nem ficou nada mal. O coitado ficou com aspecto de quem já tinha sido comido antes de sair do forno o que significa que para a próxima terei que aumentar as doses. Estava gostoso ( ou não o teria colocado aqui) e com mel ficou uma delícia. Agora, finalmente, posso alternar os meus pequenos almoços e lanches sem ficar com a consciência pesada de que estou a consumir hidratos de carbono a mais. Resta saber se os miúdos vão aprovar estas novas invenções da mãe. Para quem gosta e tem mãos e paciência para a cozinha, é de experimentar estes pães do artigo, que devem ser uma delicia.

Ideias felizes

Muito se fala em Portugal e nos países europeus da quebra na taxa da natalidade. Existem muitos motivos para isso é já na altura do meu curso abordamos esse problema. A verdade é que as mulheres têm hoje perspectivas de vida muito diferentes das que tinham à algumas gerações atrás. Para além disso, os recursos sociais são cada vez menos e mais dispendiosos o que leva a que depois do primeiro filho qualquer casal pense muito bem antes de ter outro filho. Vai muito da perspectiva de vida de cada um, dos planos que formulou para o futuro e até dos sonhos que tem. Criar filhos, educa-los, dar-lhes a atenção e carinho necessários é difícil para qualquer mulher que concomitantemente queira ter uma carreira. Imaginem então para uma mulher solteira ( divorciada/viúva) que tem planos e projectos para sua vida. Não só é difícil como é quase uma tarefa hercúlea…sendo que são precisos muitos mais do que os 12 trabalhos de Hércules e alguma sorte. Em Portugal significa trabalhar/ gerir/ programar quase 24 horas por dia com direito a sensação de cansaço quase contínuo que a bem ou a mal somos obrigadas a ter que aprender a saber lidar com tudo isso.
O que mais me chateia no meio de tudo são os pressupostos de que temos que aguentar. Aguentar e, se possível, fazer pouco barulho. Acredito ser esse o motivo que leva muitas mulheres a manterem casamentos e uniões que não as faz felizes. Acredito também que é esse o motivo porque muitos homens se sentem presos nos seus casamentos.
Uma questão de sobrevivência, portanto. Partindo deste princípio, que pode estar errado, admito que alguns problemas sociais se resolveriam com um maior apoio à maternidade/paternidade, admitindo também que nem sempre são as mães os melhores cuidadores. Parto do genérico para chegar ao particular. Das boas opções de apoio é sem dúvida a do nosso município que tomou a resolução de apoiar todos os meninos do 1° ciclo com a compra dos livros escolares. Para mim é uma ajuda fantástica e extremamente útil, muito mais útil do que a isenção de dos meninos no serviço nacional de saúde, sabendo nós que o serviço não tem capacidade de resposta para doença aguda, apenas para o seguimento regular. Muitas vezes se se pensassem nas medidas que se tomam – benefícios versus custos – muito do show off eleitoral seria dispensável e estaríamos de facto a aumentar a qualidade de vida de todos nós. Porque produtividade, lá está, pressupõe algum tipo de qualidade para não voltarmos ao tempo da escravatura.