Pode parecer mas não ando a dormir

Às vezes, quando deito a cabeça na almofada e tenho tempo, gosto de fazer uma retrospectiva do que foi o meu dia, tentando perceber onde errei e onde posso melhorar. É um exercício que faço muitas vezes, até mesmo quando não tenho tempo para fazer uma retrospectiva completa dos meus dias. Hoje tenho.

Foi um dia enorme. Tão grande que tive alguma dificuldade em lembra-me como começou. Às vezes faço coisas tão diferentes, mudo tantas vezes de “chip” ( que é como quem diz, de ambientes, de preocupações, de papéis) que me é difícil reconstruir o dia do princípio ao fim.

Começou por ser um dia de adeus. Adeus a uma casa onde estive 6 anos e onde aprendi muita coisa sobre um mundo totalmente diferente daquele onde estava habituada a actuar. Vou ter saudades, porque, de todos os duplos que tive, foi dos únicos onde me senti verdadeiramente parte de uma equipa multidisciplinar. Não costumo colocar no meu currículo, porque foi mais uma das muitas coisas que comecei e nunca acabei, mas tenho o 1 semestre e penso que algumas “cadeiras” do 2 ( já nem me lembro bem) de uma licenciatura em gestão de recursos humanos. Foi onde tive o primeiro grande contacto com a economia e com a gestão. Há tantos anos que ainda nem era mãe, pelo menos não na parte prática da coisa, embora emocionalmente já tivesse passado por uma experiência de maternidade que não desejo a ninguém – adiante que esta é uma parte da história que até há bem pouco tempo me era muito difícil mencionar. 

Este paleio apenas para dizer que é muito difícil encontrar aquele líder que vem descrito nos livros, o tal que é nato, que não necessita de ser chefe para já o ser. Foi nesta casa que encontrei, pela primeira vez, algumas pessoas com estas características e não vou esquecer -me mais do que é. Só sabemos identificar verdadeiramente uma coisa depois de a termos visto pela primeira vez, por muita teoria que saibamos sobre o assunto. Vim já com alguma saudade de tudo, mas sabendo que foi a altura exacta para a minha saída, tendo a certeza que cumpri a minha missão, aprendi e com certeza que também ensinei.

Os livros escolares estão comprados, o que significa que a minha dor de cabeça de Agosto e Setembro está resolvida. Sendo certo que pela educação dos meus filhos terei provavelmente que, mais uma vez, atrasar a finalização da minha. Hoje em dia já consigo lidar perfeitamente com estes constantes volte face dos planos traçados.

O carro aguarda pacientemente pela sua vez, na lista de espera para lhe tratar da saúde e as constantes contas de cabeça permitem-me hoje deita-la na almofada sem medo do fim do mês mas com a certeza que todos os dias há que refazer todas as contas, para ter a certeza que não vão haver derrapagens até à altura em que a NOS me devolva a quantia que já me cobrou, com esta, pelo menos 3 vezes. Irra que é muito! Pagar uma dívida, com juros, 10x superior ao valor real da dívida, ser julgada sem saber e ainda por cima pagar a dita dívida 3x é coisa para só ser possível acontecer em Portugal. Vale-me não ser por aí além muito tontinha e gostar de fazer valer os meus direitos e mesmo assim sabe Deus! Imagino o que não se passará por esse país afora, com pessoas que não fazem a mínima ideia de como recorrer à justiça ou fazê-la valer.

Por fim o começo da época desportiva de Verão. A ideia de férias que já não me sai da cabeça ( a escolha do verniz para as unhas – as saudades que tenho das minhas unhas pintadas!) o cheiro a creme na pele ( que me descuidei com a celulite este ano) e o merecido descanso que não me sai da cabeça. E esta música a lembrar-me tantos outros Verões e a escolha perfeita naquele que dizem ter sido o dia do Rock.

Aproveitem que o tempo de Verão, tal como todo o tempo do mundo, passa num instante.