Do outro lado da fronteira

Eram pálidas as luzes que nos guiavam

e eu tinha frio.

Naquela portela de um homem só

Teu líquido escorrendo

erriçava-me a pele.

Galinha fiquei,

com a pele como a língua de um gato, saliências

que me tornaram áspera.

Gélida mas desperta,

de olhos fechados

Para o querer

Ali bem perto a fronteira.

Um passo

e estamos de um outro lado,

dizias, numa outra língua,

a mesma terra fria

debaixo dos meus pés.

Pergunto-me porquê.

ultrapassei a fronteira

o meu sonho era queda

a tua água

sobre o meu corpo

a provocar sensações.

E tu a guiar-me,

através dos caminhos,

com as luzes ainda pálidas.

Nos teus olhos

Nós

Ainda tenho frio.

Mas voltei

À distância de um infinito maior

Lado a lado

Do outro lado da fronteira