Eu sei que estamos em tempo de férias mas temos que nos alimentar ( ou como resolver problemas de caca)

Já vos tinha contado que comprei uma iogurteira. Na verdade a primeira tentativa foi com a velha iogurteira da mãe mas essa já não aquece o suficiente para permitir a fermentação, pelo que me decidi a comprar uma muito gira ( com tampas coloridas e frascos de vidro, como eu gosto) numa promoção do Lidl, que depois de uma pesquisa na net, percebi que estava a um preço mesmo bom. 

O iogurte é um alimento com origem nos balcãs, que se consome há milhares de anos, uma excelente fonte de cálcio. Como se obtém a partir da fermentação láctea é bom para quem tem problemas gastrointestinais. De uma forma muito resumida, o iogurte resulta da transformação da lactose ( o açúcar natural do leite) em ácido láctico através de fermentação bacteriana.

Como os meus problemas gastrointestinais já passam muito para lá dos simples problemas de digestão, muito a custo ( mesmo muito a custo, que sempre fui uma adoradora de “leitinho”) estou a tentar reduzir o consumo de produtos lácteos. A melhor de todas as soluções é substituir o leite por leite de soja, que contém elevada quantidade de proteína vegetal, aminoácidos essenciais e é também uma boa fonte de cálcio. Só que eu não gosto do sabor da “coisa” a não ser quando o vendem demasiado açucarado e substituí por ” leite” de arroz que me permite fazer os meus cereais mas pouco mais que isso. 

Assim que comprei a iogurteira um dos objetivos foi aprender a fazer iogurte de soja. A primeira tentativa correu mal e não houve iogurte para ninguém. Era necessário saber porquê. Não foi difícil descobrir, bastou ler os rótulos. Existe alguma oferta de produtos de soja, tipo iogurtes, no mercado, mas nem todos possuem colónias de bactérias vivas que permitam a fermentação ( são mais tipo pudim). Foi só encontrar um iogurte com as ditas colónias ( que geralmente vem descrito no rótulo) misturar com o leite de soja e a temperatura e a natureza fizeram o resto, como sempre. 

 Nunca me canso de inventar e experimentar, por isso hoje decidi fazer uma quiche. Normalíssima, só que, em vez das natas, coloquei 2 iogurtes de soja na receita. E não é que ficou bom? 

Embora a comida vegetariana esteja muito em voga, a verdade é que eu sou Omnívora, característica inata do ser humano desde o início da nossa espécie. Como de tudo um pouco. No entanto, admito, os excessos são o pior dos erros alimentares e eu chegava a consumir 1 litro de leite por dia. Agora o intestino já não me permite essas loucuras e portanto há que encontrar alternativas. O iogurte natural é uma excelente alternativa assim como o iogurte de soja. 

Tudo o que está na moda, os alimentos macrobióticos, produtos vegetarianos e outros artigos, como sabem, atingem preços que ao final do mês destabilizam o orçamento familiar. Fica caro ser vegetariano e dá muito trabalho, porque é necessário saber bastante de nutrição para manter uma alimentação equilibrada em aminoácidos e ácidos gordos essenciais ( aqueles que o organismo não consegue produzir a partir de outros e têm que ser ingeridos em determinadas quantidades para manter o correcto funcionamento do organismo).

 Usar estes métodos alternativos do “faça você” permite poupar muito no orçamento e além disso controlar a quantidade de açúcar ingerida, já que muitos dos produtos vendidos   utilizam o açúcar como forma de adição ( o açúcar, tal como o tabaco ou o álcool também é viciante e prejudicial quando em excesso, por adição) . Hoje em dia não é fácil manter uma alimentação equilibrada, com tanta oferta e por vezes publicidade enganosa. O mais fácil é tentar perceber algo sobre nutrição, compreender a roda dos alimentos e sobretudo consumir o máximo de produtos caseiros que se conseguir. Só assim poderemos ganhar a batalha contra os corantes, conservantes e excesso de açúcares, que tanto mal tem feito a todos nós.