No túnel do tempo 

Eram as conversas de esplanada. O barulho e o riso de quem se encontra e reencontra e a música como paisagem de fundo. O tempo parou. Entro no túnel desse tempo e tudo me parece longe, tão longe, enquanto de dentro assisto ao filme da vida a passar. Como se dentro de mim estivesse fora do espaço que ocupo e me rodeia, estando lá. Vivo na minha bolha. Afastada da minha dor, que sinto fora, dentro sinto apenas o que se move ao meu redor, num movimento de cubo de rubick. Quem estiver mais próximo, num movimento recíproco, leva e traz o que tiver que ser, ou luz ou sombras, o troco certo ao que me der a receber. 

Entrar é fácil, é como o milagre da porta dos fundos quando não há mais por onde sair. Sair. Ando ainda à procura da porta por onde se sai, para poder voltar a entrar dentro do corpo que abandonei. 

Eram as conversas de esplanada, o riso e a alegria de quem se encontra e reencontra. O túnel do tempo e a música como paisagem de fundo. 


O tempo recomeçou a contar.