Regresso às Origens

Enquanto o ciberespaço me retira do ar porque adoro brincar aos engenheiros informáticos a vida faz aquilo que melhor sabe fazer, continua. A lua entra lentamente em quarto minguante e eu, cumprindo a – para mim – pior parte de ser mulher , entro com a lua na fase mais sombria do mês. Ser fumadora, mulher e sem companheiro permite-me tomar a decisão que me parece, na minha condição, a mais saudável e com menos riscos para a minha saúde, de não tomar contraceptivos orais. Sendo uma decisão, como todas, tem os seus prós e os seus contras e eu agora estou na fase dos contras, esperando que a hemoglobina não desça muito para tentar não entrar novamente nos limites da anemia, senão lá se vai a opção e terei mesmo que voltar aos contraceptivos orais. Não é facil gerir hormonas, biologia e alterações de humor quanto se está ainda a recuperar de uma depressão por burnout. Serão uns dias de mau humor ainda mais exacerbado e vontade de me estender no sofá a devorar series, pipocas e livros e não sair de casa. Esta é outra das coisas boas de fazer turnos, permite-nos adequar o calendário de forma a não termos de mostrar os dentes a ninguém naquela altura em que, na realidade, o que apetece é estar sozinha – não gosto nada quando não conseguem compreender os meus ciclos bastante vincados, que há décadas coincidem com as fases da lua (coisas que percebi, porque gosto de ser observadora) e como mulher que sou adoro que adivinhem as minhas intenções num exercício tonto de experimentar os dotes telepáticos dos outros.

Ainda bem que o nosso dia de praia não coincidiu com o inicio da minha fase lunar. Melides estava no seu melhor. Um mar à Melides, com um vento à Melides que faz daquela a melhor das praias da zona para nos bronzearmos. Por vezes, quando não há cuidado, até demais. Foi engraçado reencontrarmos caras que já não víamos há alguns anos e perceber que mesmo que os anos passem a”boa onda”se mantém. Somos hoje mais que as mães, na verdadeira acepção da palavra, mesmo quando o mesmo pai gerou alguns filhos, nem todos da mesma mãe, ainda assim, já somos mais que as mães.

Engraçado é perceber como educamos, tentando que não façam, nem imitem aquilo que nós já fomos e como o medo de que algo lhes aconteça faz com lhes imponhamos limites que nós não tínhamos. O mar é o melhor exemplo disso. Entravamos no mar sem medo de nada, hoje temos medo que se aproximem das ondas. Na verdade, também tive algum receio de entrar na água ( isto antes de passar a bandeira vermelha, típica numa lua cheia, com um mar demasiado enfurecido para os apenas dois nadadores salvadores que vi – enquanto noutras praias de mar bem mais calmo são o dobro ) mas continuo a tentar não passar os receios e inseguranças que nos trazem esta coisa de ser pais. Foi um dia de praia à antiga, com direito a farnel e tudo, que não há quem possa com os preços que se praticam junto à praia, só porque,  lá está, é junto à praia, sem haver o mínimo de cuidado com a qualidade e o serviço prestado. Mesmo assim, estão sempre cheios.  Um fim de semana em cheio que nos encheu os abraços, os sorrisos e o coração.

Eu dei o primeiro passo, agora meus amigos, continuem, que a vida é demasiado curta para se viver longe de quem se gosta de ter perto.

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