Viver do que restou cá dentro

Queria escrever sobre o dia. 

Há dias em que as mágoas caminham connosco como se fossem sombras ao calor tórrido da planície de que não conseguimos vislumbrar o fim. Hoje sou restolho. Espero uma pequena morte interna para nascer de novo. Sinto falta de algo novo que volte a fazer -me sentir, vibrar. É esse o destino de quem procura novo destino? Destinada estou. Serei eu uma peça ímpar?Espero secretamente poder de novo abrir as asas e fechar os olhos no planar alucinado de quem sabe o que a espera. 

As esperas são as piores fases da vida. Aquelas em que a mornidão não nos aquece nem arrefece nem compromete. Caixas vazias de conteúdo, esperando encher-se com as tralhas da vida que se vai arrumando de qualquer maneira.

É um viver procurando não se sabe o quê. É ver no olhar dos outros o que não se encontra cá dentro. Estar perdida sem caminho num caminhar que não pára. É mais um dia, apenas mais um dia. Um fim de Agosto. Um fogo que ardeu. A espera das chuvas que leve as cinzas na esperança que haja ainda lugar para quem queira morar cá dentro.