Nos campos dourados 

Há músicas que nos hão-de acompanhar eternamente. Ou porque nos lembram momentos ou porque nos sabem bem ou só porque nos fazem sentir ( e sentir é uma coisa rara nos dias que correm, quase fora de moda, sentir). Estou nostálgica. Talvez seja da lua nova a crescer ou simplesmente seja do calor. Já houve um tempo em que o calor era o meu ambiente natural. Ontem até falta de ar senti, numa imobilidade que me tirou a fome, a força e me encheu de dores por dentro e por fora. É engraçado como nos vamos alterando com o tempo e o que dantes eram escolhas favoritas, hoje são motivo de desconforto. Imóvel, foi o que estive ontem. Saída da noite, o meu quarto foi impossível de aguentar depois da hora do almoço, o que me destruiu o resto do dia. Espero passar melhor as minhas horas de descanso, hoje.

Já li “o ano em que não ia haver verão”e não gostei da história. Como não sou crítica literária, não me adianto muito mais. Não gostar da história é o suficiente para me justificar. 

Como em tudo há sempre uma parte boa, até nos dias maus, por muito escondida que esteja. Até Pandora, depois de libertar da sua caixa os males do mundo, descobriu a esperança, escondida lá no fundo: o meu gato desaparecido voltou para casa. Enganou-se na porta e foi pedir abrigo na casa da minha irmã, provavelmente porque nos cheirou por lá. Foi o suficiente para ser reconhecido e voltar são e salvo. O bom filho à casa torna, diz-se, mas o bom português tem sempre que dizer e contradizer. Voltou são e salvo, vivo e com saúde, é o que me importa. De resto é esperar que o tempo arrefeça, que o humor aqueça e a dor desapareça. 

Many years have passed since those summer days
Among the fields of barley
See the children run as the sun goes down
Among the fields of gold
You’ll remember me when the west wind moves
Upon the fields of barley
You can tell the sun in his jealous sky
When we walked in fields of gold
When we walked in fields of gold
When we walked in fields of gold