A nossa Cruz 

Só já lá entro quando vou votar. As paredes continuam as mesmas. Mudaram alguns nomes de salas, alguns lugares mudaram-se de um local para outro mas o cheiro continua o mesmo: é o sol, a luz que entra nos corredores e nos jardins, que é o que há de melhor naquela escola, os espaços ao ar livre. De todas ( já foram muitas) é a de que eu sinto mais saudades. Se o tempo pudesse voltar atrás era para aquele tempo que gostava de voltar. Foi ali que eu comecei verdadeiramente a crescer. Da primária não guardo grandes saudades, se era velha muito mais velha é agora e mantém o traço frio, típico dos edifícios do estado novo, tal como as faculdades em Coimbra. A escola do 2° ciclo nunca foi minha, que no meu tempo eram os pavilhões pré fabricados de uma escola que foi provisória durante várias gerações, sendo que a nova escola já está a ficar com aspecto de velha mas é bem mais confortável do que a nossa era,e apesar de muitos me dizerem que não, acho-a mais acolhedora do que a do 1° ciclo. 

A velhinha “escola do Cruz” continua sempre igual, de aspecto jovem, desempoeirada. Embora beneficiasse de uma melhor jardinagem ( sempre lhe faltará a malta de agrícola, que foi a base da construção da escola, por parte do benemérito) sabe-me sempre bem voltar ali. Naquela escola fui realmente feliz e só peço que o meu filho tenha metade do sucesso escolar que ali tive e já serei muito orgulhosa. Recordo o meu 9° ano com uma pauta preenchida a 5 e a certeza de que nesse ano haveriam pelo menos 3 a disputar o mérito escolar ( como é que nos desempatariam??) . Éramos uma turma excelente e não sei se houve muitas como a nossa, provavelmente sim, mas aquela foi a minha. Hoje revivi muitas dessas lembranças e o que lhe tento transmitir é que se esforce para dar o seu melhor. É bom passarem anos por nós e ainda nos orgulhamos das nossas conquistas. É a partir de agora que construirá o seu futuro, se tiver as bases, o resto virá por si, mesmo que lhe falte a sorte. Eu sou o exemplo vivo disso. 

Quanto ao pequeno…bom, primeiro tenho que arranjar uma corda para o agarrar lá do alto de onde vive e só depois tentar colocar -lhe algum brio em saber também aquilo que se dá na escola ( entretanto tenho que lhe explicar 509 vezes para que é que serve, para o conseguir convencer de que é mesmo importante aprender o que se ensina na escola!) Os mesmos pais e tão diferentes, tal como cada um de nós. Foi um dia cheio e bom