Reflexões fora de época

Uma das coisas que mais me descontrai é ir à praia, por isso, a convite de uma amiga, hoje fui. Aliás hoje foi dia de amigas.

 Há pessoas de quem podemos distanciar-nos o suficiente para estarmos mais de um ano sem as ver e ainda assim quando nos encontramos parece que foi ontem que nos vimos e a conversa só tem fim se nos tivermos que separar outra vez. São com essas pessoas que se suportam melhor os silêncios, em que os espaços sem palavras são tão importantes como os espaços em reflexão. É com essas que geralmente não necessito explicar o sentido do meu pensamento porque me desvendam as intenções quase tão bem quanto eu. Nos últimos anos vimo-nos assim, de passagem, uns para baixo ou para cima que há aproximadamente 2 anos que não vou a Coimbra e eles andam por esse Portugal afora. Ainda assim parece que foi ontem que lá fui,porque sei que lá será sempre um pouco da minha casa também, é por lá que está uma grande parte do que sou hoje. Uma quantidade de amigas que são importantes na minha vida e impossíveis de serem dissociadas do que sou mas que a vida mantém distantes, umas mais do que outras. 

É imprescindível falarmos de nós quando me encontro com os amigos e não me é muito fácil falar de mim para além da conversa banal. Os sentimentos e a privacidade são muito diferentes das conversas de Bica em que se fala essencialmente para o exterior e não do interior. Muitas vezes eu própria tenho dificuldade em expressar os sentimentos e por isso faço saídas de escape que me são típicas. Os filhos são a expressão natural de uma condição que me define, muito mais que outra qualquer, mas não me limita e há muito poucas pessoas com quem partilho sentimentos, porque aprendi a ser assim, e a Vera é uma delas. Por isso são tão importantes os nossos pequenos encontros, de fugida, por isso são tão importantes os encontros com as minhas amigas. Só isso me basta como alongamento. 

Às vezes, na vida, fazemos coisas que nos arrependemos, talvez não o que fazemos mas como o fazemos e somos mal interpretadas, levamos depois mais tempo a recompor-nos do erro do que a repara-lo. Sem querer magoamos pessoas a quem amamos só porque queremos o melhor para elas e temos também que pensar em nós. O tempo passa depressa e a mágoa que deixamos no rosto de alguém transforma-se numa raiva lenta e agonica que nos vão atirando lentamente e que suportamos o melhor que sabemos e podemos, defendendo o sentimento com mais raiva, para nos escudarmos. Quando damos conta somos pedra e defendemos o sentimento até de nós próprias para não sofrer mais. É essa a altura de retirar as tropas do campo de batalha. É aqui que entram os amigos que pouco a pouco vão tirando a saca rolhas o que somos e nos devolvem o espelho para nos vermos de novo tal como somos e  não como queremos parecer, como forma de escudo. É por isso que quando me quero lembrar do que sou recorro aos meus amigos. É por isso que quem me procura custa a encontrar-me, são poucos, mas são bons, e os verdadeiros amigos não desbaratam a nossa privacidade. 

Quanto ao futebol, bom, ganhámos experiência em como não se deve jogar . Mas tal como disse no post anterior as pré-epocas valem só para que aprendam a jogar uns com os outros ( digo eu que não sou entendida na matéria).Bom, mas mesmo bom, foram os encontros à pressa e a praia!