Deu-me uma fibrilhação teórico-politico-financeira. Choque! 

Eu andei um tempo a ver se este assunto passava sem ter que dar a minha opinião, mas o assunto parece estar cada vez mais aceso e, infelizmente, num país onde a iliteracia financeira é uma das causas de muita da desgraça que por aí anda, é necessário haver muito cuidado com determinados discursos, sobretudo com aquele tipo de discurso que só uma pequena parte da população consegue compreender na totalidade. 

Mariana Mortágua falou bem, em termos teóricos e históricos e tudo aquilo que disse está de facto provado e há dados sobre isso. O grande problema de tudo isto é que falamos de teorias, de extrapolações, de suposições passadas para o papel por pensadores. As teorias económicas nunca se afastaram muito da teorias políticas e por isso nomes como Marx, Engels, Adam Smith vêm muitas vezes referidos em teorias políticas que se baseiam em estudos economico-socias em que estes nomes que referi são alguns dos grandes pensadores. Até aqui é pacífico. Trata-se de história. O problema vem com as soluções que cada teoria política encontrou ou tenta encontrar para resolver os seus problemas economico-socias. Isto também é muito fácil de compreender se for explicado por outras palavras. Antes de me alongar acho importante referir que não sou neo-liberalista, sou social democrata que são conceitos totalmente diferentes e que neste país infelizmente se confundem. De Margareth Thatcher guardo apenas o perfil de uma mulher conservadora com pulso suficientemente forte para enfrentar um mundo de homens e vencer, fruto de muito empenho e muito trabalho.Não lhe perfilho as ideias ou pelo menos não a maioria delas. Partindo deste ponto e sabendo que toda a parte do discurso expositivo de Mariana está correcto, já dizia eu lá atrás, o problema são as soluções que se encontram para resolver os problemas. 

Num país onde se consome muito mais do que se produz, só pode haver desigualdades. Peguemos numa família e imaginemos que tem um quintal. Digamos que o que se produz nesse quintal dá exactamente para alimentar essa família. Agora imaginemos que os vizinhos em vez de produzirem no seu próprio quintal ou em caso de o não terem, pagarem uma parte do terreno dos vizinhos para que possam plantar os seus alimentos, exigem a esses vizinhos que distribuam por todos o que produziram. O que é que acontece ? Ficam todos com fome. Basicamente é isto que Mariana propõe que se faça! Senão vejamos, já existem hoje provas relativamente fiáveis do que digo. A Venezuela que passou por um processo idêntico ao que Mariana propõe, e repare-se que é um país produtor de petróleo, está na mais desgraçada das misérias. Já não falo de Cuba nem da falecida URSS porque muitos outros factores políticos e não só económicos se misturaram ( o que também pode acontecer em qualquer teoria, os imponderáveis). 

Os países nórdicos são, pelo contrário, o exemplo de como as teorias sociais – democratas ( que se poderiam confundir com o nosso socialismo – o nome social democracia nasce com Sá Carneiro, cuja companheira era sueca) dão frutos e fazem sucess, são os países que consideramos desenvolvidos. 

Só se pode dividir, quando se produz o suficiente. Um estado social nasce do excesso de produção que se transforma em exportação e rende dinheiro suficiente para que se possa aplicar na melhoria das condições de vida. 

Um país que nem consegue produzir para se alimentar não pode pensar em distribuir a riqueza que não tem . É isto que a maior parte dos portugueses ainda não entendeu. Pelo amor de Deus, até os pensos higiénicos nós importamos de Espanha, uma coisa que é só algodão e plástico.

 É necessário investir numa agricultura moderna e produtiva e se não soubermos que venha quem saiba rentabilizar as nossas terras. O dinheiro dos turistas por si só não chega, se temos uma Europa em crise, tal como nós e o turismo português ainda não é de qualidade necessária, é o chamado turismo de pé rapado, acordem para a vida real!Consiste basicamente numa classe média baixa que não tem dinheiro para ir para outros destinos.

 Temos que produzir o que é nosso de forma barata e atractiva, diminuir por isso a taxação de tudo e mais alguma coisa tal como fez a Irlanda e exportar para Angola, para Moçambique, para o Brasil, para Macau, para Timor, até para a China se for preciso, diminuir o peso do sector dos serviços e reduzir os intermediários , o peso com a distribuição que é o que torna ineficaz a nossa produção. Foi por isso que Deus deu ao homem a internet, para sermos novamente portugueses e darmos novos mundos ao que é nosso. Ela que vá taxar no tacho que quer criar para si própria. E defenderei isto até à exaustão! Tenho dito!