As curvas e contra curvas da vida 

Não me lembro como a descobri. Não costuma andar nos circuitos que frequento, o que é certo é que que dei com as suas songs of origin e foi um sentimento de identificação. Em tudo, nos sons, nos videos que produz (ou que produzem para si) no visual, enfim, parece-me que temos um imaginário comum. Desde que descobri que na app do SoundCloud posso ouvir o que quero sem pagar, não hesitei em trocá-la pela app do Spotify. Não sou grande fã de ouvir música em modo aleatório, a não ser que esteja a fazer qualquer outra coisa e não a ouvir realmente . Além disso se posso ter o que quero de graça, para quê pagar? Assim, nestes últimos dias, como se vê, antes de dormir vou sempre à procura de uma música que me conforte. Hoje apeteceu-me ouvir a Emmy Curl. Aliás, hoje depois de chegar do Algarve ( antes dos jogadores vencedores – novamente- por ossos do ofício. Tem que se ganhar a vidinha como se pode e eu prevejo um 2017 mais difícil do que se julga, pelo que há que inventar todos os meios de poupança possíveis ) tenho estado numa onda muito calma. Não quis saber de tarefas domésticas para além das essenciais, uma vez que podia ser chamada a qualquer hora e tenho estado a ler, a ouvir música e a relaxar.

Os jogos dos meus filhos permitem-me um motivo para passear, são as minhas viagens possíveis. Tenho sonhado com as remodelações do meu ninho e vou inventando com o que tenho e com o que posso, maneiras de reaproveitar e remodelar. E há o relatório para acabar ( ainda) o que significa propinas. O natal não tarda cai-me em cima e pimba, uma desgraça. Por isso agora, a prioridade é poupança ao mais alto nível, nem que seja só para depois poder respirar mais descansada.

Vem aí o Outono e vou entrar numa dura batalha de desmame de anti depressivos e pela experiência que tenho, isto é coisa para me dar “abalo” , nem sei como há quem tome medicação desta e não cumpra as indicações do médico à risca. A mim, basta-me falhar uma dose para o corpo dar sinais ( tonturas, desiquilíbrio, sudurese nocturna cefaleias). Um todo de indisposições que só tolero porque quando começo a achar que toda a gente ao meu redor tem problemas geralmente o problema está em mim, que deixo de ter a clareza e objetividade, assim como a forma positiva de ver a vida, que me caracterizam. Uma das coisas que mais gosto em mim é esta capacidade de me decompor e me entender de tal forma que qualquer alteração ao que sou me faz “tocar as campainhas de alarme” e começar a procurar possíveis causas. Foi difícil de aceitar que estava a atravessar uma longa e arrastada depressão que se mascarou por necessidade e negação e acumulou com os problemazitos que invariavelmente a passagem dos anos trás. Agora que a assumi e que já passei por vários anti-depressivos, e por várias suspensões ( ainda no tempo da negação) com muitos efeitos secundários, estou ainda mais convencida que as indicações médicas são para cumprir, com o risco de prolongar a recuperação ou induzir uma recaída se assim não for. Não seria nada conveniente recair outra vez, aliás seria de todo inconveniente voltar a passar por tudo outra vez.

Sinto o Outono como uma Primavera invertida, mas este Outono vai ser para mim uma Primavera, se conseguir chegar ao fim da estação apenas com um antidepressivo e preparada para o Natal. É esse o objetivo, é essa a minha intenção, será esse o meu foco de Outono. Uma coisa de cada vez, que já me chegaram os anos de duplos, triplos e mais que houvesse para conseguir ver alguma luz ao fundo do túnel onde me enfiei. E poder, novamente, respirar fundo…