Onde estavas tu? Parte II

Ainda na série “Onde estavas tu?” redescobri o dia 28 de Setembro de 2015. Já faz um ano que uma família como a nossa chegou a Portugal, fruto da boa vontade e da empatia de quem não tem medo de fazer o bem, sem olhar a quem. Já não é a primeira vez que sinto muito orgulho do que fazem os meus amigos e esta foi de facto uma dessas vezes ( leiam o link para perceberem do que falo e de como é gira a noção de futuro). Se me perguntarem se tenho medo dos refugiados a resposta será sempre a mesma, não! Se o meu país se tivesse transformado num inferno eu ia gostar que me recebessem. Custa-me a aceitar que uma Europa dita civilizada, deixe à porta, como se fossem animais presos num canil, a abarrotar, seres humanos como nós, famílias como as nossas, que apenas querem sobreviver com alguma dignidade. Custa-me a crer que estejamos, todos nós ( que somos todos “Europa solidária” ) a permitir que aconteça. Erguem-se novos muros que orgulhosamente a minha geração viu serem derrubados. Impede-se a circulação, a grande bandeira europeia – livre circulação de pessoas e bens – e o Reino Unido bate com as portas ( para grande aborrecimento meu, que era grande cliente das lojas on line britânicas e está decidido que vou deixar de ser porque com os novos valores dos portes não compensa – já estão, portanto, a perder volume de negócio e com aquele valor da libra, não me parece que vão muito longe sem nós – respeite-se a decisão do povo soberano). Para os lados da “Mother Rússia”, o “amigo” Putin faz renascer o tempo do vale tudo: demonstrações bélicas, o diz que não mas afinal é sim, com cheiro a guerra fria e calor atómico ( diz-se por aí – e quem o diz são os peritos Holandeses – que o míssil terra ar que devastou o avião da Malasyan air lines era russo mas foi só dar um passeio à Ucrânia 😈 as coisas que acontecem neste mundo meu Deus, até parece bruxedo 😵 ) . Na América decidem-se as eleições entre a maior aberração que o mundo já viu e a esposa de um ex-presidente ( gosto especialmente deste ponto do currículo, não sei se terá mais algum relevante mas menos mal, deve ter alguma noção no que se vai meter). E nós, passamos a maior parte do tempo, hoje em dia, com medo dos bichos papões que falam árabe, e que, como já se fartaram de se matar uns aos outros, decidiram estender o raio de acção. Agora a sério, há gente boa e má em todo o lado, mas de vez em quando aparecem umas colheitas deles de muito baixa qualidade. O problema de tudo isto é que somos nós que os colocamos lá ( exceptua-se aqui o caso português, que é mais uma das aberrações para juntar ao grupo) e eles devem ser, por isso, o espelho do que nós somos. Isto entristece-me, faz-me sentir excluída. Que sociedade é esta que permite o sofrimento atroz de outros seres humanos e nada faz? Que sociedade é esta, que se quer fechar, olhar para o outro lado, construir muros e fazer de conta que está tudo bem ? Quem gosta de história sabe que, provavelmente, estaremos no início de um novo ciclo, desses que acontecem com o início dos séculos, vá se lá saber porquê…O que me aborrece é que se estejam a cometer os mesmos erros com o aval desta maioria silenciosa, que somos muitos de nós, os que conseguimos ver que há por aqui qualquer coisa que não está nada bem. Já li, de outros tempos, que houve desgraças que começaram exactamente com a Europa a fingir que não vê.

É por isso que é preciso mais famílias como as nossas, solidariedade, compreensão, empatia. A violência nunca levou ninguém a lado nenhum. É por isso que não tenho medo de refugiados, nem de terroristas, nem de ninguém. A morte é a única coisa que temos certa, mais vale viver, enquanto temos vida!