A Portuguesa


Amanhã comemora-se a implantação da República. Com início a 2 de Outubro, a revolução republicana termina a 5 de Outubro, dia em que, em Lisboa, é declarada a implantação da República Portuguesa. Na praça da República, em Grândola, reside esfingica, a estátua do Dr José Jacinto Nunes, figura maior do início do partido Republicano em Portugal, presidente da câmara de Grândola durante 50 anos, onde viria a casar e a falecer. O dr Jacinto Nunes, que trouxe os caminhos de ferro até Grândola, ficou eternizado nesta terra a apontar para eles, para que não esqueçamos a sua obra. 

Li em qualquer lado, talvez numa das referências bibliográficas que se referem na wikipédia, que para o final da vida, Jacinto Nunes questionava se a implantação da República teria valido a pena. O prestígio é sabido que não voltou, tal como a modernidade ainda andamos hoje a tentar alcançar. 

Nunca fui uma declarada republicana, muito pelo contrário. Sempre fui adepta de monarquias como a Espanhola, a Inglesa, a Holandesa ou a Sueca, em suma, as antigas casas reais Europeias que mantêm o sentido de nação, a língua, a cultura, os verdadeiros símbolos de uma qualquer nacionalidade, mas isto é apenas a minha opinião. Na viagem que fiz a Madrid, para frequentar um curso de resiliência, conheci um castelhano republicano. Foi o primeiro Republicano espanhol que encontrei na vida e como tal a conversa acabaria por resvalar para a política europeia, para o republicanismo versus monarquia. Soube que continuam a alegar alguns dos mesmos motivos que se alegaram em Portugal em 1910: os gastos da família real. Quanto a isso só lhe consegui responder que eles tinham uma família para “alimentar” mas que mal ou bem, representava a nação, era educada para ter essa responsabilidade, por cá, alimentamos as famílias dos vários presidentes, sendo que, por muito que se queira, só representam o país durante o seu mandato ( graças, que são frequentemente reeleitos senão era uma loucura de despesa, provavelmente muito mais do que os gastos da família real) e o património cultural que nos deixou o legado das várias casas reais estaria provavelmente muito melhor conservado. Mas a história é mesmo assim, às vezes, o que se julga melhor, acaba por vir a ser mais do mesmo.  Festejemos então o feriado!