Rés pública ( ao cuidado da AF de Setúbal) 

A foto é do jogo em casa, a semana passada, que o pelado de Pegões tem umas condições tão vergonhosas que deveria ser proibido lá jogarem por falta de condições

Hoje foi dia de jogo. Custa-me perceber que até nos jogos das camadas jovens, demasiadas vezes os protagonistas são os árbitros. É sabido que sou uma fervorosa adepta das equipas dos meus filhos, irónica, desempenho na perfeição o papel de ” mulher a ver a bola com o filho a jogar”, a típica peixeira portanto. Apesar disso acredito que as decisões dos árbitros são para respeitar e não vale a pena discutir, ou reclamar,  das decisões daqueles que são soberanos no jogo, com risco de podermos ser prejudicados e sabendo de antemão que, não sendo máquinas, é passível de poderem errar, como todos nós. Também acredito que devemos respeitar o adversário, sendo esse o aspecto primordial que separa as pessoas civilizadas, da falta de educação. O principal objetivo do desporto nesta idade é formar atletas mas sobretudo formar pessoas. Aprender a competir, a lidar com a frustração, aprender os limites do corpo e a necessidade de controlar a cabeça e a importância da auto motivação. Até aqui a teoria está perfeita, o problema vem quando tudo isto passa os limites do razoável e a competição passa ser um teste à agressividade alheia.

Perdemos 2-1, com 2 golos anulados. Não sou versada em teorias do futebol mas um dos golos foi claramente mal anulado. Para além disso não foram marcados 2 penalties, uma mão clarissima na grande área e algumas agressões à sucapa, instigadas pelas famílias e pelos treinadores da equipa adversária. 

Equipas com este nível de formação deveriam ser, senão castigadas, pelo menos impedidas de jogar nos escalões de formação até pais e treinadores aprenderem o significado da palavra respeito e competição. Para se conseguir perceber o nível básico da formação pessoal da equipa, quando um dos nossos jogadores cortou a bola ( e sublinho a bola) com um carrinho, o jogador adversário tentou agredi-lo, foi mostrado cartão vermelho a esse jogador e cartão amarelo ao nosso, como deveria ser, o que provocou um tumulto de tal forma que o treinador desrespeitou o árbitro e foi expulso e os pais continuaram a incentivar a violência. Como se fossem eles os verdadeiros injustiçados!

Não me admiro que os árbitros tenham receio de fazer o seu trabalho nestas condições, sem protecção de nenhum género, contra este tipo de gente que não sabe distinguir a importância que tem a formação das crianças. Perder também faz parte da vida e nunca fez mal a ninguém. Como se não bastasse, no fim do jogo, treinador e treinados ainda foram insultar o nosso guarda-redes. É muito pouca qualidade junta, num jogo só. A resposta a tudo isto é, sem dúvida, manter a postura e não fugir. No fim do jogo, mantivemo-nos por ali, sem provocar desacatos, consumindo alguma coisa no café e distribuindo o lanche aos nossos jogadores. Não demonstrar medo ou agressividade é essencial nestas situações e formativo também. Mas achei importante desabafar convosco esta injustiça. Jogámos melhor, tivemos melhor postura, marcámos mais golos, espero que no fim o resultado da competição demonstre isso e não o medo ou o favoritismo que certas equipas de árbitros possam mostrar pelas equipas técnicas ou apoiantes de miúdos que estão ali para aprender a ser pessoas civilizadas, melhores cidadãos no futuro e não a ser caceteiros e mal-formados.  Pelo menos essa é uma das razões porque tenho gosto em que os meus filhos pratiquem desporto. 

Em jeito de desabafo, deixo aqui o meu desagrado perante a situação. A má-formaçao não deveria dar lugar ao mérito, porque os árbitros podem ter receio da sua integridade física poder estar comprometida, quando fazem o seu trabalho com alguma qualidade. Tenho dito!