Batata doce,uma das salvadoras da pátria 

A eterna questão filosófica das mães e esposas deste país , quiçá do mundo ( e já não digo das mulheres porque quando estou sozinha é preciso muita força de vontade para comer de faca e garfo, admiro as pessoas que tiram prazer de cozinhar só para si) . O que é que eu vou fazer para jantar? Além desta questão eu ainda tenho a acrescentar alguns itens…o que é que eu vou fazer para jantar que os miúdos gostem. 

Não foram muito habituados a variar nas comidas: ou carne com batatas ou massa/arroz, quando não os dois acompanhamentos ou peixe com batatas ou massa/arroz. Salada sempre foi para esquecer. No meio de “tanta variedade” consegui manter a bandeira da sopa hasteada e é a forma que ainda hoje tenho de os fazer comer legumes. No verão é sempre mais fácil comerem fruta, o que não me admiro porque também eu sou mais apreciadora da fruta de verão, sendo que, por esta altura, safam-nos as uvas e desde que li um artigo de nutrição que dizia que o organismo tem maior necessidade de alguns nutrientes ( vitaminas e sais minerais)  em determinadas épocas e são esses os nutrientes que existem em maior quantidade na fruta dita da época, que desisti de fazer investimento em fruta importada do outro lado do mundo ou em fruta de estufa crescida fora da época normal. 

Aqui chegada tenho um problema. Eu já não sou grande adepta da cozinha…e fazer sempre a mesma coisa ” dá-me nos nervos”, para mim o encanto da cozinha é poder inventar à vontade ( às vezes lixo-me). Ao fim de muitos anos de treino já me habituei a ouvir o “eu não gosto disso” como se fosse música para os meus ouvidos. Não vou comer. Prova. Não provo, não gosto disso. Temos pena. É o que há. 

A verdade é que nem sempre tenho força anímica para isto e não é menos verdade que o “que raio de coisa é essa que fizeste para jantar” ainda me consegue levar abaixo, mas é só nos dias maus. 

Depois temos o fantasma da diabetes, sempre a pairar sobre as nossas cabeças, algo que eles sabem vagamente o que é, porque acho que têm tempo para se preocupar com isso, mas eu aprendi desde muito cedo o que era, porque desde miúda que me habituei a fazer análises clínicas de 6 em 6 meses para termos a certeza que esse fantasma não nos entrava pelo corpo dentro. Até agora tudo normal! Mas o melhor é não abusar da sorte, nem dos genes. 

Já há algum tempo que queria experimentar puré de batata doce. A batata doce, óptima substituta da sua “irmã”, tem muito menos glúten e é por isso muito mais saudável. Os pastéis de bacalhau e os rolinhos de carne são daqueles cromos repetidos cá em casa então decidi inovar no acompanhamento. Pesquisei numa das várias aplicações de receitas que tenho no telemóvel e no mytaste encontrei uma receita de puré de batata com couve. Matei dois coelhos numa só cajadada, foi a batata e ainda acrescentei verde à refeição sem ter que os obrigar novamente a comer a sopa. 

O resultado foi o esperado: um não provou e outro fingiu que gostou e comeu uma noz de puré. Não me importo. Eu venço -os pelo cansaço. À força de tanto o verem na mesa ainda vão acabar por adorar!