Rótulos, rotinas e modos de estar 

A propósito deste texto num blog que gosto de ler ou a propósito da morte de Fidel Castro e pegando neste texto apetece-me dizer que morreu o último resquício de esperança de que o socialismo puro possa levar a algum lado que não seja a pobreza. Uma sociedade melhor não funciona com políticas económicas de esquerda, está provado pela história ( URSS, Cuba e agora a bem recente Venezuela) não há volta a dar. Assim como, os puritanos seja do que for, não vão conseguir safar-se na vida se não souberem viver numa sociedade que olhe pelo seu semelhante e o integre. O socialismo dá-nos a cultura, a abertura intelectual, a forma integrativa de olhar o próximo, a direita dá-nos a perspectiva da troca (tão historicamente importante para o Homem chegar onde chegou) e a noção de propriedade, essencial ao bem estar humano. 

Infelizmente, ao fim de 40 anos, ainda vivemos num país de rótulos onde o pensamento livre e por vezes desalinhado com a manada faz com que, quem assim pensa, seja visto com desconfiança e até algum receio daquilo que será capaz de dizer ou fazer. A nossa necessidade, ainda primária, de classificar e rotular, faz com que demasiadas vezes isso nos impeça de pensar, de verificar, de dar o benefício da dúvida, de testar hipóteses, enfim, de utilizar um similiar de método científico na nossa tomada de decisão. O que faz de nós alvos fáceis do populismo tão em voga nos nossos dias: “Acredita no que eu te digo, mesmo que aquilo que faça mostre consistemente o contrário” – é esta a base do populismo. 

Fidel Castro é o último dos grandes ícones da minha juventude ( embora nunca tenha sido adepta da cuba libre porque não gosto de rum) a figura icónica e os adeptos que tinha entre os meus amigos fez-me querer saber mais. Fiquei na parte obscura da história do Che e chegou. O resto foi a própria vida a acontecer que me foi ajudando a chegar às minhas conclusões. Prefiro a organização e a cultura dos países do norte, do que a miséria e a sujidade dos países do sul. O meu modelo está bem definido, mesmo que isso não encaixe com as definições de esquerda e direita que se usam neste país. Até nunca, espero eu, El Comandante.