Vivendo e aprendendo 

Costuma dizer-se que “em casa de ferreiro espeto de pau”. Pois este ditado popular aplica-se certeiro em mim. Os miúdos andaram durante pelo menos duas semanas com mau estar a que não dei grande importância. O mais pequeno chegou a vomitar umas noites, não seguidas, sem febre e com episódios de diarreia esporádicos. O mais velho teve 2 ou 3 episódios de astenia ( falta de força, falta de vontade) acompanhada de cefaleia ( dor de cabeça) e pouco mais. Sintomas de doença de pouca importância ( na minha perspectiva, que passo a vida envolvida com doenças, por vezes sem grande remédio que lhes valha) . Esta fase passada e eis que me deparo com a questão mais que oportuna do meu filho mais novo: oh mãe, explica-me lá por que é que eu sou o único menino que vomita e vai à mesma para a escola? Bom, passando por serem episódios de vómitos únicos que não se repetem, ao facto de não fazer febre, tentei ainda explicar-lhe como faltar ao trabalho pode ser complicado no trabalho da mãe, em que os doentes estão lá na mesma e precisam de quem tome conta deles, sendo que se a mãe não for, alguém que está de folga tem que ir ou até mesmo a pessoa que esteve a trabalhar no turno antes tem que fazer o turno da mãe e tu não gostas quando isso acontece e é a mãe que tem que seguir , pois não? 

A conversa ficou por aqui mas eu tomei uma nota para mim mesma que tenho que deixar de ser tão inflexível com as pequenas maleitas dos miúdos. Toda a gente gosta de mimo e atenção quando se sente mal. E eles não têm culpa de lhes ter proporcionado um sistema imunitário resistente a muita coisa. 

Como sempre, se estivermos atentos, a vida faz-nos aprender as lições à nossa custa. Preparada que estava para passar uns dias fora, numas jornadas de cuidados respiratórios e eis senão quando acordo a meio da noite, mal disposta que doía. 30 segundos para identificar que sensação era e …Ora bolas! Vou vomitar! O resto não será necessário descrever que todos saberemos o que se seguiu. A meio do acto entra em cena o pequeno, cabelo todo no ar, olhos meio abertos, meio fechados e aquele olhar típico de desprezo: vais assim nesse estado??? 

Como sempre, não dei parte de fraca. Pois claro que vou!!! 

1 a 0 para o Afonso, não fui capaz de me levantar, nem nesse dia nem hoje. Desidratei que foi um instante. A minha patologia inflamatória deve ter-me acertado em cheio no intestino pelo que há já cerca de um ano que o meu padrão intestinal mudou sendo que comparado com o antes, ando permanentemente com diarreia, medicada claro! Somando a isto vómitos e ainda maior diarreia bastaram umas horas para parecer que tinha sido atropelada por um camião. Ainda ouvi a graçola do Afonso, antes de ir para a escola: então, não foste? 

A primeira acção é dieta zero por umas horas e depois hidratar, hidratar, hidratar. Soros caseiros é o que é mais fácil de arranjar. Eu prefiro a coca-cola depois de lhe tirar o gás, mas o Ice tea é melhor ( não gosto de Ice tea) ou chá açucarado ou qualquer líquido doce. Depois segue-se o famoso arroz cozido em caldo ( canja, eu prefiro arroz com grão mas sem o pombo e sem gordura) abençoada mãe que tem paciência para me cozinhar estas coisas e abençoado pai que tem paciência para mas vir trazer. E aqui estou 24 horas depois, a aprender a lição de que devo valorizar as queixas dos meus filhos, porque apesar de serem agora fisicamente mais resistentes a estas maleitas do que eu, toda a gente gosta de mimo quando não se sente bem. 

E como eu própria costumo dizer: os heróis estão todos mortos!