Monte da saudade

Há dias assim, em que a quantidade de coisas que faço parece ser uma forma de não pensar em nada. Uma espécie de paracetamol natural da saudade. ” Para não ser tão mole” no sentido duplo que pode ter a frase…A remodelação da cozinha vai a braços com a minha imaginação e o meu trabalho.

E esta música, que ouvi de manhã na rádio Comercial e marcou o espírito do dia.

” De que serve uma lição se não passar de hoje”

Talvez sejam estas saudades do futuro, constantes, que me tornem melancólica por longos períodos. São elas que me abrem a porta da criatividade.  Faço tudo ao meu alcance para não deixar que a vida passe por nós.Mesmo que com isso me condene a saudades constantes. A minha bola de cristal diz-me que o cansaço desvanece-se em fumo e o nevoeiro vai levantando pouco a pouco. Era esse o objetivo. Algo me diz que vale a pena esperar pelo futuro, contando que a felicidade me venha falar de estórias do futuro.

É na diferença que está o ganho 

Valha-me o sentido de humor! Quando li a primeira notícia sobre a reacção das nossas “miúdas de estimação” ( ao melhor estilo “gaja”) aos comentários do sr Dissenqualquercoisaqueaquilosaodemasiadasletrasjuntasparameugosto, pensei cá para os meus botões: Irra que lá estão elas a ferver em pouca água! Como se não houvessem coisas bem mais importantes neste país que valessem a pena a  indignação. Mas bastaram apenas mais umas horas e uma outra notícia para perceber que a diplomacia é de facto uma arte extraordinária. Li em algum lado que a 3 guerra mundial já começou, mas esta é uma guerra completamente diferente. É uma guerra do sul contra o norte, do este contra o oeste, dos pobres contra os ricos de uns contra os outros. É uma guerra de valores, morais e capitais. Esta é também uma guerra europeia, dentro e fora dos países da dita União. Os lá de cima acham que nós, os cá de baixo, somos uns esbanjadores e preguiçosos e nós achamos que eles são feitos de pedra e aço, desumanos. Feitas as contas, aos tostões e às razões, já dizia a minha avó: em casa de pouco pão, todos discutem ninguém tem razão! Seja como for, as infelizes  palavras do senhor de nome ilegível foram o rastilho suficiente para iniciar mais uma guerra de poderes onde provavelmente, nós, os latinos, ficaremos a ganhar para que não digamos que estamos a ser discriminados ( as minhas desculpas aos gregos e à sua história magnífica e milenar mas para o efeito, nesta Europa, são também considerados latinos – e a cultura latina tem uma grande base grega, vá!) . Ora virá então mais um cargo que provavelmente falará Castelhano . O que é que isso influencia a minha e a vida do comum dos mortais cidadãos do sul da Europa? Provavelmente nada, mas vamos poder orgulhar-nos de ter ganho uma batalha diplomática. É destes pequenos nadas, que se faz a política hoje em dia e, desde que as decisões se mudaram para o centro da Europa que se afastaram ainda mais do cidadão comum e é por isso que esta Europa não funciona. Alimenta-se de nadas burocráticos que consomem uma grande parte do tempo em que se podia estar a fazer qualquer coisa prática. 

Numa coisa este incidente vem ajudar: A Europa tem que ser construída por quem acredita nela. Colocar em lugares chave indivíduos que não acreditam no conceito e tem ideias pré-definidas sobre um “tipo de povo” é dar tiros no pé, não se vai a lado nenhum. Por outro lado se gastámos tudo em putas e vinho verde, foi porque nos deixaram. Quando dou dinheiro aos meus filhos cuido para saber onde o gastam e se empresto uma grande quantia a um amigo, no mínimo, pergunto-lhe para que vai servir o dinheiro, certo? E se vejo que não foi essa a finalidade discutida, no mínimo, peço-lho de volta antes que o esbanje todo. Digo eu!

Por cá, salvo as piadas aos longínquos acidentes burocráticos europeus, temos tido uns belos dias. O gato voltou para casa ( um destes dias conto esta história, que vale a pena), apanhei a tartaruga fugitiva a passear no tapete da casa de banho e depois de fazer contas à vida decidi que não tenho recursos monetários para remodelar a cozinha, pelo que me fiz à vida, que é como quem diz pus mãos à obra. Se empreguei tantos anos a estudar para poder ter uma profissão especializada,, que é paga como não sendo, com certeza que me entenderei a fazer trabalhos ditos não especializados – neste caso pinturas- e a internet ensina-nos tudo o que queiramos aprender. Decidi pintar os velhinhos móveis da cozinha e já tenho ideias para quase toda a casa. E não é que gosto desta terapia ocupacional? Quando tiver fotos e estiver pronto logo vos mostro no que me meti desta vez. 

O importante é não parar, nem desistir. E se a natureza me fez assim, cheia de ideias, à que aproveita-las! 

Reflexões em dia não 

Não sei o que terá a vida para me dizer. Sei que quando se repetem momentos na minha vida, como um dejá vu, algo está errado e entrei novamente num círculo do qual é necessário sair, como se fosse um rato a correr numa roda. A grande diferença entre o agora e o antes é a quantidade de ansiedade que imprimo a estes momentos. Se dantes não descansava enquanto não achasse a saída, a luz ao fundo do túnel, a agulha no palheiro, agora simplesmente deixo o tempo passar, certa de que tudo se há de resolver e hei-de encontrar uma resposta às minhas perguntas, dúvidas ou preocupações. Acho que percebo agora porque é que com o tempo se vão enraizando e acimentando as nossas crenças e o que aprendemos e interpretamos ao longo dos anos que vamos vivendo. Para que a maturidade, embora nos enfraqueça corporalmente, nos dê um espírito muito mais forte para suportar todas as incertezas da vida. Hoje agradeço as vezes que li a bíblia e todos os textos sagrados de todas as religiões monoteístas. São esses escritos que me permitem encontrar palavras certas para fortalecer os meus caminhos e a minha fé na felicidade.

O Senhor é meu pastor e nada me faltará 

                                         Salmo 23

 Pelo menos não me faltará o essencial: a esperança de que melhores dias ainda estarão por vir, mesmo que se vá a juventude. 
Transportando para a realidade do dia a dia:… Foram-se dois dos gatos, desapareceram, as tartarugas saltaram do aquário, uma consegui encontrar outra anda por aí perdida, a vida está em modo “parada em espera”, novamente, e os dias são uma repetição constante uns dos outros, de tal modo que me falta assunto para conversa. Provavelmente vamos entrar em pausa outra vez. Até qualquer dia, vemo-nos por aí ! 

Em repeat 

Uma das coisas mais giras desta coisa de ser mãe de dois é perceber as diferenças que existem entre eles. No entanto há uma coisa em que somos todos iguais e que provavelmente vem escrito nos genes. Temos todos ( quando digo todos, são todos, até os da “casa mãe”, um toque obsessivo. Uma das coisas que fazia muito e que ainda faço, mas com menos frequência, é a de ouvir repetidamente uma música quando gosto muito dela. Pois bem o meu mais pequeno é igual, o que por vezes é bom, outras vezes tira, literalmente, o irmão do sério. Agora por cá é esta que está a dar. E o que me ri e me identifiquei quando ele me disse: mãe, gosto tanto desta música que era capaz de a ouvir “milhentas”vezes. O bom é que por acaso também gosto da música e também já lhe vou sabendo a letra de cor. Já o irmão…

Eheheheh