Depois de um dia bom…

Amanhã será, de novo, o dia da mulher. O tal dia que, até à poucos anos, considerava desnecessário, por não me ter em menos conta que um qualquer homem, para necessitar ter um dia comemorativo, que lembre que a mulher deve ser protegida. 

Até ter o 1° filho, depois o 2°. Ainda considero não ter necessidade de ser protegida, no entanto, se há 1 século as mulheres lutavam pelo seu direito de ter voto em toda e qualquer matéria que dissesse respeito à sua vida e à sociedade, hoje em dia as mulheres lutam, mais do que tudo, para terem direito à sua maternidade, sem com isso serem despromovidas, sobrecarregadas, ou verem a sua qualidade de vida descer abaixo dos mínimos necessários para manter a saúde mental. A maternidade torna-se, cada vez mais, um acto de sacrifício para quem quer ter uma carreira, o que nos leva mais tarde ou mais cedo a optar entre aquilo que nos faz mais felizes ou realizadas. E ao optarmos pelos filhos, deixamos de lado a possibilidade de sermos livres e bem sucedidas. No início de vida, acreditei que conseguiria conciliar as duas escolhas, depois tive um choque de realidade e fui cedendo a pouco e pouco o espaço que queria preencher com a carreira, por impossibilidade, até económica, de aguentar tudo. E se vou tentando a pouco e pouco conciliar as coisas, faço-o à custa de um outro sonho, as  minhas viagens. Não sei se tem a ver com o ser mulher, se com o ser adulto, mas as escolhas estão constantemente a modificar o rumo da minha vida e foi por isso que deixei à muito de fazer planos a longo prazo. Um dia atrás do outro, um de cada vez, cada dia com os passos que vou escolhendo, segundo aquilo que me faz sentir mais realizada. Amanhã é então o tal dia da mulher. Um daqueles de que não sou grande apreciadora, nem gosto muito de comemorar, até porque acho que mediante a nossa realidade, embora estejamos muito melhor do que antes, temos muito pouco que comemorar. Mas isto só eu a pensar…