Ah e tal gostamos muito, mas toma lá disto òh tu que és mais velha ! 

Não me lembro da vida sem ela. Quando cá cheguei já ela cá andava. É o karma dos irmãos mais novos. 

Aqueles que não se lembram de viver sem irmãos nunca chegam a saber o que é, mas os que se lembram… talvez tenha percebido melhor qual é que era o verdadeiro “problema” da minha irmã depois de nascer o meu Afonso. A verdade é que não conseguem viver um sem o outro mas o mais velho para além de demasiadas vezes julgar que pode ocupar o lugar do pai ( no meu caso da mãe) tem sempre por perto um “saco de pancada” para descarregar as frustrações. Há dias em que lhe chama tudo menos santo, ao ponto de me fazer desenterrar memórias tão antigas que até trazem teias de aranha agarradas. Desconfio que todos os irmãos com mais de 3 anos de diferença, e do mesmo sexo, têm cenas de pugilato mais ou menos agressivas nas suas memórias. E isso é normal. Talvez o que não seja normal é preocuparmo-nos demasiado com isso. 

Das memórias que guardo da minha irmã, dos anos mais antigos, são as de uma pica-miolos chata, que só estava bem quando estava a chamar-me algum nome menos querido. Ao pé dela nunca nada do que eu fazia estava bem. Ainda hoje tenho sempre o cuidado de comer pastilha de boca fechada porque se ela descobrisse que tinha uma pastilha na boca, enchia-me os ouvidos com regras de boas maneiras e educação que me faziam virar-me do avesso em menos duma palhinha. Depois era pontapé e estalada e mais aquilo que possam imaginar, ou não. E ainda dizem que os miudos hoje são muito agressivos…pois! 

A nossa salvação foram, nessa altura, os namorados da minha irmã que me achavam sempre muita piada e aquela coisa cansativa de ter que andar atrás deles como se fosse um cãozinho de guarda trouxe-me bons amigos, alguns inesquecíveis, outros insubstituíveis e a coisa mais próxima que alguma vez tive de saber o que era ter um irmão. Quando o João faleceu o meu desgosto foi de tal maneira que andei algum tempo às avessas com a minha irmã porque me faltava o irmão conciliador.

Depois fomos obrigadas a viver as duas, sem os pais, e isso foi a melhor coisa que nos podia ter acontecido. Foi nessa altura que baixámos os machados de guerra e nos tornamos o que somos hoje. A verdade é que somos muito diferentes, mas também é verdade que nos estão sempre a confundir. Para ajudar ainda arranjámos maridos com o mesmo nome o que era muito simplificador para quem nos confundia. Tudo o que a minha irmã tem de certinha eu tenho de desorganização. Ao contrário do que se possa pensar, ela é que é o governo e eu sou a oposição, na instituição democrática que é a nossa família, mas muitas vezes votamos no mesmo sentido. 

É engraçado como sempre me lembro de ouvir dizer que a minha irmã iria ser uma óptima mãe. Organizada, responsável, ao contrário da “avoada” da mais nova que só dava mesmo era para a escola, porque as partes senhoriais passavam-me mesmo ao lado. 30 anos volvidos as previsões foram mais ou menos como as dos economistas, completamente ao lado. A minha irmã tem tido sempre uma carreira de sucesso, tudo o que ela projecta dá certo. A mim, podiam-me ter dado um “rebanho” de filhos e meios para os criar e seria a mulher mais feliz do mundo. Como a vida não é um conto de fadas, dos 3 que queria ter, perdi o primeiro para o destino e facilmente percebi, que para se poder dar qualidade de vida aos que trazemos ao mundo, é melhor pensar o futuro antes de ele acontecer. Com a agravante de nos condenarmos à escravidão fisica e psicologica, de vendermos a outros o tempo que os nossos filhos precisam para serem emocionalmente saudáveis, se não o fizermos.

Se me perguntassem se pudesse escolher uma irmã qual é que escolheria, diria que escolhia aquela que tenho, porque muito daquilo que sou resulta de tudo o que fui aprendendo com ela, por ela e ao seu lado. O bom e o mau da vida. E isto é o maior elogio que lhe posso fazer, apesar de não raras vezes vermos a vida de maneira completamente diferente.

Feliz dia da irmã entrouxo 😈

…Da dificuldade que tenho, tantas vezes, que me entendam…


…  faz que continue com a minha certeza de que conseguir rir de si próprio é um sinal de inteligência e essa é uma das coisas que mais gosto em alguém. E de rir também.

Dêem-me um ponto de apoio e eu levantarei o mundo.   

                                              Arquimedes

Felizmente, tal como o Arquimedes, acredito que podemos fazer muito, com muito pouco. Talvez por isso, apesar de todas as faltas, me possa considerar, de novo, feliz e suficientemente realizada. E isso é bom. 

Manter o espírito jovem 

Tenho andado com aquilo que se chama vulgarmente de grande “cabeção”. Não sei se é do tempo, se da rinite alérgica, se da mania que tenho de passar temporadas em que me esqueço que tenho que usar os óculos para ler, conduzir e olhar para os ecrãs. A verdade é que nos últimos dias a sensação que tenho é que ando constantemente com um cântaro de água na cabeça, que me pesa. Se calhar são os ditos 40 que tudo trazem. A menos de um mês de lá entrar, estou a preparar-me para ultrapassar a barreira dos 40 à velocidade da luz. A preparação psicológica está feita, na medida em que percebi que fisicamente a coisa já não é o que era. Tenho dias em que parece que não posso com “uma gata pelo rabo”, canso-me por tudo e por nada, o que me leva à conclusão que tabaco tem que ser muito menos. As dores chegaram bem antes dos 40, suficientemente antes para já me ter habituado a elas, embora o cabeção dos últimos dias tenha vindo acompanhado do dedo “maroto” que teima em não dobrar, edemacia até ficar com o tamanho de dois dedos e doi como se não houvesse amanhã e temos a novidade do joelho que não gostou nada de ter ido ver o Virgul à Santiagro e desde aí só quer é estar quieto. A juntar a estas maleitas, o pagode do fim de semana de feira e o pouco sono, fez uma mistura bombástica a nível corporal que suspeito me vai atrasar ainda mais o término de uns trabalhitos manuais que ando a fazer aqui por casa. 

Das coisas boas que se podem fazer quando a cabeça não tem juízo (e o corpo é que paga) é ler. Já terminei a Viúva Negra, do Daniel Silva, que aconselho a lerem, e vou começar a tentação de D Fernando, um romance histórico, um género muito ao meu gosto. Espero que valha a pena. O objectivo a que me propus, no desafio do goodreads, foram 12 ivros em 12 meses e já estou atrasada. 

Fora a abençoada normalidade do dia a dia, tudo vai bem e a casa continua a confusão que se quer num lugar onde se vive. A Zita continua a não perceber muito bem onde se devem fazer as necessidades fisiológicas e a assombrar a vida do Lucky, que tem uma paciência do tamanho do mundo para esta cadela de bolso movida a energia atómica. Sempre foi um gato que nunca gostou muito de alturas e agora passa metade dos dias em cima dos móveis se quer ter algum descanso. A Benedita foi bem mais inteligente. Deu-lhe umas safanadas valentes logo nos dias em que a Zita chegou e foi o suficiente para que ela, agora, quase que a venere. Até à hora da refeição a Zita só se aproxima da comida depois da Benedita dar permissão. É muito engraçado observar as relações de poder e interacção entre os animais, que acabam por definir a hierarquia da casa. Às vezes penso que nós, humanos, não somos muito diferentes na forma como gerimos as nossas relações e quando somos as coisas não correm muito bem. É sempre bom sabermos o nosso lugar, onde e quando e como dizer o quê e saber impor distâncias. Não é fácil viver em sociedade mas como humanos não devemos viver de outra forma. Precisamos dos outros e os outros precisam de nós, mesmo para coisas aparentemente sem importância nenhuma que depois descobrimos virem a ser vitais. 

Das coisas boas de trabalhar com tanta gente jovem, a parte de que mais gosto é a de poder continuar a pensar como se ainda não tivesse saído dos 20. Para mim isso é que realmente importa. Mais dor menos dor, mais preocupação menos preocupação, estar rodeada de espíritos jovens faz bem: mantem-nos actualizadas e permite trocas de experiências enriquecedoras para toda a gente. Este fim de semana tive direito a sessão fotográfica, quer acreditem ou não foi mais do que suficiente para me mimar o ego. Obrigada miúdas! 

Estar na moda

Não sou grande adepta de novas modas, ou melhor, não é por estar na moda que adiro a determinados movimentos ou ditos estilos de vida. Lembro-me assim de repente do Gin, que ainda não me convenceram a tornar a provar, embora adore os copos em que se bebe o dito cujo e as suas novas formas de apresentação, que literalmente dão para adequar a qualquer bebida branca mais a meu gosto; ou as calças rasgadas de que possuo um par e só porque me custaram 10 euros e portanto um preço mais em conta que umas calças completas – dar mais dinheiro por umas calças com menos tecido parece-me um bocadinho pateta, por muito na moda que esteja o modelo. São estes tipos de raciocínio que gosto de fazer e que aprimorei com esta malfadada crise. (Exemplos como quaisquer outros que possa dar no que respeita à forma como gosto de distribuir o bem mais escasso que possuo e que me dá mais trabalho a conseguir). 

Esta semana descobri que, pelos vistos, sou adepta fervorosa do novo movimento de nesting. Nunca fui muito expedita no que toca a trabalhos manuais, mas segundo se diz a necessidade aguça o engenho e decoração é uma das coisas que mais gosto. A minha necessidade de ter um espaço que gosto e onde me sinto bem é quase vital e depois da última mudança decidi que iria fazer desta casa o meu lar. Apesar de já com alguma idade, este lugar tem muitas características de que gosto, principalmente o quintal. Para o quarto do mais velho tive necessidade da ajuda de profissionais e ao meu gosto e com a ajuda deles consegui transformar o espaço. Dediquei-me à bricolage e agora sou quase mestra em aparafusar e desaparafusar, trabalhar com berbequim e, imaginem, com restos de coisas que já não uso tenho feito prateleiras e arranjado complementos de decoração muito ao estilo IKEA e muito mais em conta. 

A ultima grande obra em que me meti foi a remodelação da cozinha. Para isso foi necessário aprender sobre pinturas. É verdade que ando nisto há alguns meses mas também é verdade que pouco a pouco a cozinha vai-se transformando . Entretanto vou fazendo transformações no quintal, cuidando da horta e por que o espaço está cada vez mais vestido com as roupas de que gosto, mais vontade vou tendo de por aqui ficar a desfrutar deste lugar, que por estar a sair directamente dos meus sonhos para a realidade, através das minhas mãos, mais orgulhosa me vai fazendo ficar. Não há como ver a prol do nosso esforço a transformar para o bem o nosso estilo de vida. Para além de tudo isto me estar a ficar incrivelmente barato, ainda dou uso a monos que não sabia que utilidade lhes dar, para além do lixo. 

E enquanto me dedico à bricolage, decoração e jardim, ainda faço terapia ocupacional, muito higienica para a “moleirinha”. É só pontos a favor! 

Diz que se chama nesting, isto que ando a fazer, e que está na moda

Lido aqui